Coronavírus

Covid-19. "90% é um número bastante bom para uma vacina"

Entrevista a Miguel Castanho, investigador do Instituto de Medicina Molecular.

Especial Coronavírus

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pela norte-americana Pfizer e a alemã BioNTech "tem 90% de eficácia", avançam esta segunda-feira as duas farmacêuticas após a primeira avaliação da fase 3 dos ensaios clínicos, a última antes do pedido de aprovação pelas autoridades de saúde.

Miguel Castanho reage com cautela ao anúncio, lembrando que apenas os resultados finais darão a garantia de eficácia e segurança da vacina. Porém, olha para estes dados como um "excelente indício", principalmente, porque se trata de uma vacina que utiliza um método inovador, que nunca foi testado antes.

"O número 90% é um número bastante bom para uma vacina. Temos é que aguardar, mesmo depois de aprovada a vacina, para fazer a monitorização dos resultados. É na vida real que se confirmam os resultados dos testes", afirmou o investigador, explicando que as condições dos testes são muito controladas.

Sem querer fazer comparações, Miguel Castanho refere que a eficácia da vacina de Oxford é mais baixa do que a da Pfizer. "Há uma discrepância entre a popularidade de um processo e o resultado final. Algum recato é sempre sensato", disse.

Tal como foi avançado esta segunda-feira pela diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, Portugal já encomendou doses desta vacina, sem revelar a quantidade ou até a data prevista para chegarem ao país. O investigador esclarece que cada pessoa tem de levar duas doses da vacina, o que faz com que seja necessária uma grande quantidade de doses.