Coronavírus

Sobrecarga nos centros de saúde deixa profissionais sem mãos a medir

Há receios de que alguns doentes não estejam a ser tratados.

Especial Coronavírus

Os médicos dizem estar sobrecarregados de trabalho por causa da pandemia. Nos primeiros 9 meses deste ano, houve uma diminuição de mais de 6 milhões de consultas relativamente a 2019. O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar teme que haja doentes com outras patologias que não estejam a ser tratados.

As longas filas à porta dos centros de saúde agravaram-se com o aumento de casos de Covid-19 e os médicos temem que o pior ainda esteja para vir. Os profissionais de saúde dizem já não ter mãos a medir.

Com o volume de trabalho a aumentar, não há espaço na agenda para a marcação de novas consultas presenciais nem para recuperar as que foram adiadas. O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar diz a solução passa pela contratação e não compreende a demora em todo este processo.

Antes da chegada da Covid-19, a associação já pedia a contratação de mais clínicos. O Serviço Nacional de Saúde tem atualmente mais de 5.500 médicos de família para 300 centros de saúde em todo o continente.

Pandemia levou ao cancelamento de 96 mil cirurgias até setembro

A pandemia de Covid-19 já cancelou 96 mil cirurgias até setembro e vai deixar milhão e meio de consultas por fazer. A ministra da Saúde Marta Temido estima que este ano termine com menos 12,5% das consultas médicas nos hospitais e menos quase 22% das cirurgias.

Hospitais podem suspender atividades não urgentes

O Ministério da Saúde determinou que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) podem suspender durante o mês de novembro a atividade assistencial não urgente "que, pela sua natureza ou prioridade clínica, não implique risco de vida para os utentes, limitação do seu prognóstico e/ou limitação de acesso a tratamentos periódicos ou de vigilância".

O despacho diz ainda que compete à Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19 (CARNMI), em articulação com os hospitais do SNS, através dos respetivos Serviços de Medicina Intensiva, e com as ARS, I.P., "coordenar a gestão, a nível nacional, de camas de Medicina Intensiva de nível III e nível II, em função da evolução da pandemia covid-19 e das capacidades hospitalares existentes a cada momento.

Já ao Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P., (INEM, I.P.) compete "apoiar o transporte inter-hospitalar de doentes críticos cuja transferência se revele necessária", acrescenta.

Veja também: