Coronavírus

Covid-19. Brasil diz que vacina ideal teria dose única e armazenamento entre 2 e 8 graus

Segundo o Ministério da Saúde brasileiro esta seria a vacina ideal para o país.

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O Ministério da Saúde brasileiro informou esta terça-feira que a vacina contra a covid-19 preferencial para o país sul-americano seria de dose única e termo estável, com armazenamento a temperaturas entre os 2º a 8º graus.

"Qual o perfil da vacina desejada? Claro, que confira proteção contra a doença. Que tenha elevada eficácia, segurança. Capaz de fazer indução da memória imunológica. Que tenha possibilidade de uso em diversas faixas etárias e em grupos populacionais", afirmou hoje o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, em conferência de imprensa. "Desejamos que idealmente ela seja feita em dose única, embora muitas vezes isso talvez não seja possível, só seja possível em mais de uma dose, mas fundamentalmente que ela seja termo estável por longos períodos, em temperaturas de 2º a 8º graus, porque a nossa rede de frios é montada e estabelecida com essa temperatura", acrescentou Medeiros.

Apesar de não ter referido nenhuma farmacêutica em particular, quer a Pfizer, quer a Moderna, precisam de temperaturas negativas para armazenar os seus imunizantes por longos períodos.

As duas vacinas das farmacêuticas norte-americanas precisam de ser armazenadas a -70º e -20ºC, respetivamente, e ambas exigem duas doses.

O secretário disse ainda que o plano de vacinação contra a covid-19, em preparação pelo executivo brasileiro, só ficará pronto quando a potencial vacina estiver registada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador do Brasil.

"É fundamental pensarmos que esse plano operacional para a vacinação da covid-19 só ficará pronto definitivamente quando tivermos uma vacina, ou mais de uma, que esteja registada na Anvisa. Para isso, ela precisa mostrar os seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira", defendeu Medeiros.

Até ao momento, o executivo brasileiro prevê ter disponíveis cerca de 140 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 no primeiro semestre de 2021: 100 milhões de doses do imunizante produzido pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, e 40 milhões via Covax Facility, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que uma vacina contra a covid-19 não deverá estar disponível para toda a população do Brasil (cerca de 212 milhões de habitantes) em 2021.

"Nós definimos objetivos [com grupos prioritários] para a vacinação, porque não temos uma vacina para vacinar toda a população brasileira. Além disso, os estudos dos imunizantes não preveem estar a trabalhar com todas as faixas etárias inicialmente, então não teríamos mesmo como vacinar toda a população brasileira", disse a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) da tutela, Francieli Fontana.

A prioridade será dada a grupos de risco, como idosos e portadores de doenças crónicas, além de "trabalhadores de serviços essenciais", como profissionais de saúde.