Coronavírus

Covid-19: Propagação do vírus dispara nos EUA após celebração do Dia de Ação de Graças

Charles Rex Arbogast

Um número significativo de norte-americanos estão a ficar infetados com o coronavírus depois de terem celabrado em novembro o Dia de Ação de Graça fora das suas casas, noticia hoje a agência noticiosa AP

Um número significativo de norte-americanos estão a ficar infetados com o coronavírus depois de terem celabrado em novembro o Dia de Ação de Graça fora das suas casas, noticia esta sexta-feira a agência noticiosa AP.

"Muitos norte-americanos estão agora a pagar o preço pelo que fizeram no Dia de Ação de Graças e a adoecer com covid-19. As autoridades de saúde dos Estados Unidos estão a alertar as pessoas - implorando até mesmo - para não cometerem o mesmo erro durante a temporada de Natal e Ano Novo", adianta a AP, que fala em eventuais consequências e tomadas de posição políticas na Casa Branca.

O Dia de Ação de Graças, celebrado a 26 de novembro, é um feriado celebrado sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá, sendo um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano.

"Regista-se um crescimento acima do aumento previsto", declarou Ali Mokdad, professor de ciências métricas de saúde da Universidade de Washington em Seattle. "Honestamente, é um sinal de alerta para todos nós", avisou.

Em todo os EUA, investigadores que rastreiam contactos e médicos de emergência estão a constatar que os novos pacientes com coronavírus socializaram durante o Dia de Ação de Graças com pessoas fora das suas residências, apesar das advertências e alertas de saúde pública para que ficassem em casa e mantivessem a distância em relação a terceiros.

Vírus mostrava sinais de redução

O vírus estava a espalhar-se por todo o país antes mesmo do Dia de Ação de Graças, mas mostrava alguns sinais de redução.

Desde o Dia da Ação de Graças, o vírus ganhou força, com novos casos por dia a subir regularmente para mais de 200 mil infeções.

Esta perspectiva sombria surge quando os Estados Unidos estão à beira de uma grande campanha de vacinação contra covid-19, com a Food and Drug Administration (FDA) - que regula a industria farmacêutica - a dar "luz verde", a qualquer momento, para utilização da vacina da Pfizer contra o flagelo que já matou 290 mil norte-americanos e infectaram mais de 15,6 milhões de pessoas.

As mortes por covid-19 nos EUA subiram para uma média de quase 2.260 por dia em apenas uma semana, quase igual ao pico alcançado em meados de abril, quando a área da cidade de Nova Iorque estava em confinamento.

Novos casos estão a ocorrer com cerca de 195 mil casos ativos por dia, um aumento de 16% em relação ao dia anterior ao Dia de Ação de Graças, segundo uma análise da AP

No Estado de Washington, os investigadores que fazem o rastreio de contatos/contágios contabilizaram pelo menos 336 pessoas com teste positivo que admitiram ter participado de reuniões ou viajado durante o fim de semana de Ação de Graças.

O alerta deixado por Anthony Fauci

Assim, mais são esperados, segundo os especialistas, uma vez que o vírus ainda pode estar incubando em alguém que foi exposto enquanto viajava para casa no domingo, após o Dia de Ação de Graças (26 de novembro), tendo em conta que o final desse período de incubação de duas semanas só termina no próximo domingo.

A situação preocupante que se assiste nos EUA não deveria surpreender ninguém depois de, em 29 de novembro, o epidemiologista norte-americano Anthony Fauci ter alertado para um forte aumento do número de contaminações por covid-19, após o feriado de Ação de Graças, marcado pelo movimento de milhões de pessoas em todo o país.

"Em duas ou três semanas, poderemos assistir a uma explosão de casos" de novas contaminações por coronavírus, alertou o diretor do instituto norte-americano de Alergias e Doenças Infeciosas, Anthony Fauci, disse, na altura, ao canal de televisão ABC.

Segundo a agência de notícias AFP, pelo menos 1,1 milhões de pessoas voaram para os Estados Unidos na véspera do feriado de Ação de Graças, um recorde desde que a pandemia chegou ao país em março, de acordo com dados da agência TSA, responsável pelas verificações de segurança nos aeroportos.

"Este fim de semana, com todas aquelas viagens, é realmente preocupante para nós", disse então o secretário adjunto da Saúde, Brett Giroir, em afirmações à CNN, numa declaração que se revelou premonitória.