Coronavírus

Covid-19. Agência Europeia do Medicamento aprova vacina da Pfizer

Frank Augstein

Para que esta vacina possa começar a ser comercializada e administrada na UE, resta a aprovação pela Comissão Europeia.

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A Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou esta segunda-feira a utilização da vacina da Pfizer-BionNTech contra a covid-19, que poderá assim começar a ser administrada na União Europeia ainda este ano.

Esta é a primeira vacina contra a covid-19 a receber uma autorização de uso de emergência em território europeu, depois de EUA, Reino Unido e Canadá terem já começado a usá-la.

"Apraz-me anunciar que o comité científico da EMA se reuniu hoje e recomendou uma autorização condicional de mercado na UE para a vacina desenvolvida pela BioNTech e pela Pfizer. A nossa opinião científica abre caminho à primeira autorização de mercado para uma vacina contra a covid-19 na UE", anunciou a diretora-executiva da entidade que regula a aprovação de medicamentos na UE, Emer CookE.

Numa conferência de imprensa desde Amesterdão, Cooke apontou que a decisão "é válida para os 27 Estados-membros, ao mesmo tempo", e comentou que a mesma constitui "um passo significativo em frente na luta contra esta pandemia".

Para que a esta vacina possa começar a ser comercializada e administrada na UE, resta agora a aprovação pela Comissão Europeia, o que estava previsto que acontecesse no espaço de 48 horas, mas que poderá ocorrer ainda hoje, segundo anunciou a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, no Twitter.

"É um momento decisivo nos nossos esforços para providenciar vacinas seguras e eficazes aos Europeus. A EMA acabou de dar um parecer científico positivo à vacina da BioNTech e Pfizer. Agora vamos atuar rapidamente. Espero uma decisão da Comissão Europeia esta noite", escreveu Ursula von der Leyen na sua conta oficial na rede social Twitter.

Reportando-se ao "debate intenso dos últimos meses na praça pública" sobre o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, "com uns a pedirem maior rapidez na aprovação e outros a manifestarem receio de o processo estar a ser acelerado", a diretora-executiva da EMA fez questão de deixar a garantia de que a agência atuou de forma autónoma, orientando-se "pela força das provas científicas, e nada mais".

"Deixem-me dizer isto muito claramente: embora tenhamos feito todos os esforços para acelerar o nosso processo de avaliação, garantir a segurança da vacina foi a nossa prioridade 'número um'. Estas vacinas serão administradas a milhões de pessoas na UE, e nós estamos bem conscientes da enorme responsabilidade que temos", declarou.

Cooke apontou que a conclusão de hoje, que se "baseia em dados de ensaios clínicos em mais de 40 mil participantes e tem em conta informação adicional [fornecida pelas farmacêuticas norte-americana Pfizer e alemã BioNTech] , incluindo no fim-de-semana", é que "a vacina cumpre os exigentes padrões da EMA" e "mostra de forma convincente que os benefícios são maiores que os riscos".

Apontando que ainda é necessário estudar de forma mais aprofundada a nova variante do SARS-CoV-2 que apareceu no Reino Unido, a EMA apontou, todavia, que "é altamente provável que esta vacina seja também eficaz contra a nova estripe" do vírus.

A vacina desenvolvida conjuntamente pelos laboratórios Pfizer e BioNTech (Alemanha) é assim a primeira a ser aprovada para utilização na UE. Esta mesma vacina já começou a ser administrada em vários países ocidentais, como por exemplo no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Além desta vacina da Pfizer e BioNTech, a Comissão Europeia já tem uma carteira com seis outras potenciais vacinas, desenvolvidas pela AstraZeneca, Sanofi-GSK, Johnson & Johnson, CureVac e Moderna.

VACINAÇÃO NA UE ARRANCA DIA 27

Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a vacinação irá arrancar em simultâneo nos dias 27, 28 e 29 de dezembro nos 27 Estados-membros, para assegurar a erradicação do “vírus horrível”. Na quinta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, adiantou que a vacinação pode começar no dia 27 de dezembro em Portugal.

A Comissão Europeia já assinou contratos com as companhias de vacinas AstraZeneca (300 milhões de doses), Sanofi-GSK (300 milhões), Johnson & Johnson (200 milhões), BioNTech e Pfizer (300 milhões), CureVac (405 milhões) e Moderna (160 milhões).

Na semana passada, a Agência Europeia do Medicamento antecipou uma outra reunião extraordinária para 6 de janeiro para concluir a avaliação da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Moderna, que estava anteriormente prevista para 12 de janeiro.