Coronavírus

São João volta receber 100 casos suspeitos de covid-19 por dia: "São efeito das épocas festivas"

Nelson Pereira, diretor da Unidade Autónoma de Gestão (UAG) de Urgência e Medicina Intensiva do Hospital de São João, faz um balanço e um ponto de situação no Hospital de São João.

Especial Coronavírus

O Hospital de São João do Porto, o maior da região Norte, voltou a receber mais de 100 casos suspeitos de covid-19 por dia e para o coordenador da urgência e medicina intensiva já é efeito das épocas festivas do Natal e Ano Novo.

O diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ) falava aos jornalistas esta segunda-feira, em frente à entrada para a urgência de adultos deste hospital do Porto, para fazer um balanço do período festivo, mas sobretudo para apelar à manutenção de cuidados como distanciamento social, etiqueta respiratória e higienização das mãos.

“Durante o mês de dezembro assistimos a uma diminuição progressiva do número de casos suspeitos no Serviço de Urgência, assistimos a uma diminuição razoável do número de casos em enfermaria e assistimos a uma situação mais ou menos estável do número de casos internados em cuidados intensivos”, descreveu o médico.

Nelson Pereira admitiu que a atual situação “não é uma surpresa” e frisou, relativamente ao aumento que agora está a fazer-se sentir, que “é certamente efeito da época natalícia”, repetindo o apelo aos cuidados.

“Não são só os dias 24 ou 25 que produzem este efeito. Todo o ambiente à volta das festas faz com que as pessoas contactem e se mobilizem mais (…). Qualquer aumento que possa acontecer nas próximas semanas é muito preocupante e pode ter impacto”, disse.

Atualmente estão internados no Hospital de São João 101 doentes com o novo coronavírus, 46 dos quais em cuidados intensivos.

Nelson Pereira recordou que a unidade de doentes críticos deste hospital “continua com 22 camas abertas, além da capacidade normal do serviço”, e frisou que vê “com preocupação este recrudescimento porque novos casos significam novos internamentos e mais cuidados intensivos”.

“É muito importante que as pessoas compreendam que a situação está longe de ser resolvida. Estamos num início de 2021 que vai ser muito difícil. Mesmo que tenham tido algum laxismo na forma como se comportaram durante as festas, é importante que voltem a perceber que os cuidados são para manter”, sublinhou.