Coronavírus

China não autoriza entrada de dois especialistas da OMS

Elementos da missão da OMS à China chegam a Wuhan, 14 de janeiro 2021

Thomas Peter / Reuters

Dois dos elementos da missão testaram positivo para anticorpos covid-19, restantes chegaram a Wuhan.

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A China não autorizou a entrada a dois elementos de uma missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) que vai investigar a origem do novo coronavírus. Os dois especialistas terão testado positivo para anticorpos da covid-19, revela o Wall Street Journal.

Os peritos, que fazem parte de um grupo de 13 especialistas, iriam embarcar num avião para a cidade de Wuhan, no centro da China, a partir de Singapura, onde realizaram testes serológicos, tendo o resultado sido positivo para anticorpos.

"Os requisitos relevantes de controlo e prevenção de epidemias serão rigorosamente cumpridos", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, em conferência de imprensa.

OMS confirma que dois especialistas ficaram retidos em Singapura

"A equipa internacional de 13 cientistas que vai examinar as origens do vírus que causa a covid-19 chegou hoje a Wuhan, na China, mas dois especialistas ainda estão em Singapura para realizar testes", disse a OMS na rede social Twitter.

De acordo com a OMS, "todos os membros da equipa foram submetidos a vários testes de PCR e testes de anticorpos negativos para a covid-19 no seu país de origem antes de partirem em viagem".

No entanto, explicou a agência internacional, dois dos membros testaram positivo para anticorpos IgM (imunoglobulina M), uma forma de anticorpo que o corpo desenvolve em resposta ao vírus.

Os dois especialistas devem ser testados novamente para esses anticorpos, bem como para outra classe de anticorpos, chamada IgG (para imunoglobulina G).

Restante equipa chegou a Wuhan

Os restantes elementos da equipa de investigadores e especialistas da chegou entretanto a Wuhan onde o novo coronavírus, o SARS-CoV-2, foi detetado pela primeira vez, em fins de 2019.

Terça-feira, as autoridades chinesas confirmaram que a equipa de especialistas da OMS chegará à China viajando diretamente para Wuhan, procedente de Singapura.

Além da OMS, a missão integra especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Mundial de Saúde Animal, estando envolvidos cientistas dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietname, Alemanha e Qatar.

Em fevereiro e julho de 2020, duas equipas de especialistas visitaram a China com o mesmo objetivo da atual missão, mas poucos pormenores foram divulgados sobre a origem de um vírus que já provocou quase dois milhões de mortes entre os mais de 91,5 milhões de contaminações em todo o mundo.

A visita da missão à China, em particular a Wuhan, foi confirmada segunda-feira pelas autoridades de Pequim, depois de, na semana passada, ter sido anulada à última hora por falta das autorizações necessárias.

Nos últimos meses, Pequim reagiu mal aos pedidos de uma investigação independente, tendo mesmo aplicado sanções comerciais à Austrália, que insistiu nesse sentido em várias ocasiões.

As autoridades chinesas, apesar de confirmarem a visita da missão, que está prevista durar entre cinco e seis semanas, não adiantaram quaisquer pormenores sobre o programa, devendo os especialistas cumprir uma quarentena, ainda não conformada por Pequim, logo que cheguem a território chinês.

No entanto, os sucessivos atrasos impostos pela China para aceitar uma investigação independente implica que os primeiros vestígios da infeção sejam bastante complicados para encontrar, sobretudo em Wuhan, cidade que reportou a primeira morte associada ao novo coronavírus a 11 de janeiro de 2020.

Em Wuhan, como noutras partes da China, a pandemia esteve amplamente sob controlo na primavera e o número nacional de mortos permaneceu oficialmente em 4.634 desde meados de maio.

A China tem sido criticada internacionalmente pela reação inicial à epidemia, tendo vários médicos de Wuhan que evocaram a existência do vírus sido acusados pela polícia de "propagarem rumores", enquanto um jornalista independente que cobria então a quarentena na cidade sido condenado em dezembro a quatro anos de prisão.

Mesmo o nome da primeira vítima mortal da covid-19 continua por conhecer, sabendo-se unicamente tratar-se de um homem de 61 anos que frequentava o mercado de Wuhan, considerado como o primeiro grande foco da pandemia e que foi encerrado a 01 de janeiro de 2020 mantendo-se, de resto, vedado até hoje, com as autoridades chinesas a não permitirem a entrada a especialistas independentes.

Um ano depois da primeira morte por covid-19

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