Coronavírus

Covid-19. OMS e Pfizer assinam acordo para 40 milhões de vacinas

Yves Herman

Países do mecanismo informados em breve sobre data de envio das primeiras vacinas.

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O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou esta sexta-feira que a plataforma COVAX, de distribuição de vacinas contra a covid-19, assinou um acordo com a Pfizer-BioNTech para adquirir 40 milhões de vacinas.

Numa conferência de imprensa virtual a partir de Genebra Tedros Adhanom Ghebreyesus disse também que espera que quase 150 milhões de vacinas AstraZeneca-Oxford estejam disponíveis para distribuição pela COVAX, plataforma liderada pela OMS para uma distribuição equitativa das vacinas contra a covid-19, no primeiro trimestre deste ano.

"Juntos, estes anúncios significam que a COVAX poderia começar a entregar doses em fevereiro, desde que possamos finalizar um acordo de fornecimento para a vacina Pfizer/BioNTech, e uma listagem de utilização de emergência para a vacina AstraZeneca/Oxford. A COVAX está a caminho de entregar dois mil milhões de doses até ao final deste ano", disse o responsável.

Handout .

Tedros Adhanom Ghebreyesus salientou também o compromisso dos Estados Unidos de aderir ao mecanismo COVAX, que leva a que a OMS fique "mais perto" de cumprir a promessa de distribuição equitativa de vacinas em todo o mundo.

O diretor executivo da farmacêutica Pfizer, Albert Bourla, que participou na conferência de imprensa, afirmou-se comprometido com a partilha das vacinas e com o apoio aos países menos desenvolvidos e disse que as vacinas serão fornecidas a preço de custo e que serão entregues no primeiro trimestre deste ano.

Seth Berkley, diretor executivo da GAVI -- Aliança para as Vacinas (que faz parte do mecanismo COVAX), que participou igualmente na conferência de imprensa, disse ter a expectativa de poder distribuir este ano 2,5 mil milhões de vacinas e proteger 27% da população mundial.

O responsável disse que em breve vai informar os países do mecanismo quando serão enviadas as primeiras vacinas, admitindo que possa ser em fevereiro.

Investigadores admitem que covid-19 pode tornar-se uma doença crónica

Há cada vez mais investigadores preocupados com o síndroma pós-covid. Admitem que sequelas podem tornar a covid-19 uma doença crónica. Estudos revelam que a maioria dos doentes mantem sintomas após alta hospitalar e durante vários meses.

As dores de cabeça são o sintoma mais comum, que persiste longos meses, mesmo depois da doença ter sido aparentemente ultrapassada.

Mas são inúmeros os doentes que se queixam também de depressão, tonturas, palpitações, dormências e alteração de olfato e paladar.

Na última reunião do Infarmed, um inquérito apresentado pelo epidemiologista Henrique de Barros mostrava que mais de 60% dos inquiridos apontava pelo menos um destes sintomas depois da alta hospitalar.

É desconhecido, no entanto, os efeitos da covid-19 entre a população que não recorreu ao hospital, esteve assintomática ou nem sabia sequer estar infetada.

Portugal tem neste momento cerca de 430 mil doentes recuperados. Os especialistas acreditam que muitos terão de manter acompanhamento médico.

Depois da fase aguda da doença será necessário avaliar órgãos como os pulmões, rins, coração e fígado, até porque os sintomas persistentes incluem em muitos casos, falta de ar, tosse persistente e fadiga extrema.

Segundo o jornal Público, investigadores da Universidade de Leicester, no Reino Unido, demonstraram que cerca de 30% dos doentes que tinham tido alta hospitalar voltaram a ser internados. Muitos necessitaram de fisioterapia.