Coronavírus

"A pandemia é uma lição de humildade. Se não aprendermos, mais vidas serão perdidas sem necessidade"

Entrevista SIC Notícias

Bernardo Gomes, médico de saúde pública, em entrevista à SIC Notícias.

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Portugal registou esta segunda-feira mais 252 mortes por covid-19 e 6.923 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o relatório de situação da Direção-Geral da Saúde. Para Bernardo Gomes, médico de saúde pública, os números ainda não refletem o aperto de medidas impostas pelo Governo para combater a pandemia.

"O meu coração fica apertado por todos os profissionais de saúde na linha da frente"

O profissional de saúde e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto diz que, numa altura tão complicada para o país, é importante "reforçar o contacto telefónico com família e amigos para nos aguentarmos neste processo".

Bernardo Gomes lamenta que tantos profissionais de saúde estejam sob pressão nos hospitais portugueses. "O meu coração fica apertado por todos os profissionais de saúde na linha da frente", disse em entrevista à SIC Notícias.

"Nesta altura há muita gente a ir muito além do dever"

O médico de saúde pública considera que a pressão não vai descer tão rapidamente e lembra que todos os portugueses devem ajudar para que a situação não piore. Aos que é permitido, pede que fiquem em casa. E acrescenta: "Mesmo à distância, reservem um bocadinho do vosso tempo diário para ajudarem alguém".

"Ninguém pede, ninguém quer e acho que ninguém quer ser herói no meio disto tudo. Devíamos ter todos condições de trabalho para sermos profissionais de saúde nas horas previstas, com os horários possíveis porque todos nós temos família. Nesta altura há muita gente a ir muito além do dever", sublinhou.

Bernardo Gomes vê a pandemia como "uma lição de humildade permanente". "Nós temos de aprender e mudar com as circunstâncias. E se não aprendermos, mais vidas serão perdidas sem necessidade", alertou.

Falhas na comunicação

O professor universitário disse à SIC Notícias que, desde o início da pandemia, houve muitas falhas na comunicação e deixou algumas sugestões para mudar isso.


"Podemos apontar várias falhas na comunicação desde o início da pandemia. Já não basta irmos para o registo muito formal da conferência e dos números diários. Precisamos de ter informação mais atualizada, a nível regional, a nível concelhio. Sermos capazes de transmitir mensagens positivas, sermos capazes de tentar desarmar rapidamente a desinformação