Coronavírus

Covid-19. Conselho indígena relata mortes de 9 crianças com sintomas na maior reserva do Brasil

Documento pede também o envio de profissionais de saúde ao Território Indígena Yanomami.

Covid-19. Conselho indígena relata mortes de 9 crianças com sintomas na maior reserva do Brasil
Adriano Machado

Nove crianças que viviam no Parque Indígena Yanomami, maior reserva indígena do Brasil, morreram com sintomas de covid-19 em janeiro, segundo um ofício enviado pelo Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuanna (Condisi-YY) às autoridades de saúde nacionais.

Segundo o portal de notícias G1, que teve acesso ao documento assinado e enviado pelo presidente do conselho, Júnior Hekurari Yanomami, as crianças morreram em duas áreas distintas da reserva.

O documento também pediu o envio de profissionais de saúde ao Território Indígena Yanomami, localizado nos estados de Roraima e Amazonas, na região amazónica.

Em resposta ao G1, o Ministério da Saúde informou que recebeu do Condisi-YY a comunicação das mortes e que "está a verificar junto do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami a veracidade das informações".

O Governo brasileiro acrescentou: "O Distrito Sanitário Especial Indígena encaminhou uma equipa para os locais para averiguar a situação, mas ressalta que, até ao momento, os óbitos não foram confirmados para covid-19".

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), já foram confirmados 47.148 casos de covid-19 e 940 mortes causadas pela doença entre indígenas em todo o país.

O relato sobre as mortes suspeitas das crianças no Território Yanomami acontece no mesmo momento em que o sistema de saúde do estado do Amazonas entrou em colapso em razão da alta de casos e mortes provocadas pela covid-19.

O Amazonas também regista o crescimento da circulação de uma nova estirpe do vírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, detetada pela primeira vez em viajantes japoneses que passaram por Manaus, capital regional do estado, em dezembro, designada pelos cientistas como B.1.1.28.1 ou P.1.

A nova variante preocupa autoridades de saúde porque as mutações que sofreu se assemelham às características de estirpes mais infecciosas que surgiram no Reino Unido e na África do Sul.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar 220.161 morto e mais de 8,9 milhões de casos da doença.