Coronavírus

Chega diz que "houve pressão do Governo" na demissão de Francisco Ramos

André Ventura diz que Francisco Ramos mostrou não ter competência para coordenar a task force da vacinação contra a covid-19.

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O líder do Chega afirmou esta quarta-feira que o coordenador do Plano de Vacinação Anti-Covid-19, Francisco Ramos, "poupou-se à vergonha" ao demitir-se e pediu ao Governo socialista que nomeie um substituto não pelo cartão de militante, mas pela competência.

"Portugal precisa de alguém credível, isento e objetivo. Não me cabe ter nomes em mente. É ao Governo que o cabe fazer. Agora, apelamos a que não seja nomeado ou escolhido alguém pelo cartão de militante, mas sim pela competência, serenidade e moderação", declarou André Ventura, no parlamento.

O deputado único do partido da extrema-direita parlamentar acusou Francisco Ramos de ser um "devoto socialista", referindo o facto de o mesmo já ter sido diversas vezes secretário de Estado de executivos do PS.

"Saudamos esta decisão, que já devia ter sido tomada. É evidente que houve pressão do Governo para que Francisco Ramos abandonasse as funções. Francisco Ramos não só não assumiu responsabilidade pelas várias irregularidades como desvalorizou a situação e fez insinuações sobre o eleitorado que tinha votado em mim nas Presidenciais", lamentou Ventura.

Para o líder populista, tal atitude "não é comportamento de um coordenador de um Plano Nacional de Vacinação, que deve ser um técnico".

"Poupou-se à vergonha de vir para a semana [terça-feira] à comissão [parlamentar] de Saúde. Foi hoje aprovado o requerimento. Poupou-se à vergonha de lhe ser exigida a demissão quer pelo Chega quer por outros partidos", concluiu.

Francisco Ramos, demitiu-se hoje do cargo, anunciou o Ministério da Saúde em comunicado, esclarecendo que a decisão decorre de "irregularidades detetadas pelo próprio no processo de seleção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente da comissão executiva".

O Ministério Público já abriu inquéritos em relação a casos que envolvem o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de Lisboa e do Porto, a Segurança Social de Setúbal e outras instituições onde há indícios de irregularidades na vacinação contra a covid-19, nomeadamente de pessoas que não faziam parte das listagens de casos prioritários.

Portugal registou hoje 240 mortes relacionadas com a covid-19 e 9.083 casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), cujo boletim diário revelou estarem internadas 6.684 pessoas, menos 91 do que na terça-feira, das quais 877 em unidades de cuidados intensivos, mais 25.

Desde março de 2020, morreram 13.257 pessoas no país de um total de 740.944 casos de infeção confirmados.A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.