Coronavírus

Entrega de vacinas pela Covax atrasada por falta de licença de exportação da Índia

As primeiras vacinas enviadas pela Covax para o Cambodja, a 2 de março de 2021

Unicef

As vacinas produzidas pelo Serum Institute of India deveriam ser enviadas em março e abri para os países mais desfavorecidos.

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A entrega de vacinas anti-covid a países desfavorecidos através do programa Covax está atrasada devido à falta de licença de exportação da Índia, que regista também um aumento da procura local, disse hoje um responsável da Aliança de Vacinas.

As entregas "serão atrasadas devido à falta de licenças de exportação para mais doses de vacinas produzidas pelo Serum Institute of India (SII), que deveriam ser enviadas em março e abril", avançou um porta-voz da Aliança das Vacinas (GAVI) que gere o programa Covax em conjunto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Coligação para Preparação de Inovações para Epidemias (CEPI).

Os atrasos na concessão de novas licenças de exportação devem-se "ao aumento da procura de vacinas" na Índia, que se confronta com um atraso da vacinação e com o ressurgimento de contágios, referiu.

Ainda assim, avançou o responsável, "a Covax está em negociações com o Governo indiano para garantir que as entregas são feitas o mais rapidamente possível".

O sistema internacional Covax visa garantir uma distribuição equitativa de vacinas no mundo, tendo como objetivo fornecer doses de vacinas a 20% da população, de quase 200 países e territórios, este ano, e inclui um mecanismo de financiamento para ajudar 92 países desfavorecidos.

O acordo entre a GAVI e o SII implica que o instituto indiano é obrigado a fornecer à Covax doses da vacina AstraZeneca/Oxford (fabricada na Índia) para 64 países desfavorecidos, em troca de apoio financeiro para fortalecer as capacidades de produção, explicou o porta-voz da Aliança de Vacinas.

"O SII está empenhado em, paralelamente ao abastecimento da Índia, dar prioridade à solução multilateral Covax para uma distribuição equitativa" de vacinas, garantiu.

A Índia, o segundo país mais populoso do mundo, registou mais de 11,7 milhões de casos de covid-19 e, no total, mais de 160.000 mortes, tornando-se o terceiro país mais afetado do mundo, depois dos Estados Unidos e do Brasil.

Maior fabricante de vacinas do mundo, o país lançou uma campanha ambiciosa para vacinar 300 milhões de pessoas até ao final de julho, mas está bastante atrasado, tendo vacinado apenas 50 milhões de pessoas até agora.

O aumento de 9.000 infeções diárias em fevereiro para as atuais 40.000 ameaça o progresso feito.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.735.411 mortos no mundo, resultantes de mais de 124,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.