Coronavírus

Covid-19: “A máscara deixou sequelas graves na mentalidade das pessoas”

Agostinho Marques considera que as autoridades portuguesas “têm sido muito lentas a reagir” no alívio das medidas.

Covid-19: “A máscara deixou sequelas graves na mentalidade das pessoas”

Espanha retirou, esta quinta-feira, a obrigatoriedade de usar máscara na rua. Uma decisão que está em linha com o alívio de restrições que tem vindo a ser seguido por vários países da Europa. Em Portugal, Agostinho Marques, pneumologista, defende que está na hora de voltar à normalidade.

“Em qualquer destes países, a situação neste momento é completamente diferente do que foi no passado. Nós vivemos, atualmente, com uma infeção completamente instalada na população, veio para ficar, e com uma população muito bem imunizada que a transformou numa doença relativamente suave”, explica o especialista.

O uso obrigatório da máscara é uma das medidas que o especialista defende que deve ser retirada rapidamente – mantendo-se apenas em situações excecionais e decretadas por normas das autoridades.

“A máscara deixou sequelas graves na mentalidade das pessoas”, afirma acrescentando que “é preciso um esforço ativo, semelhante ao que houve para instalar a máscara, para a desinstalar”. “Nós temos de voltar rapidamente à vida normal que supõe a vida social sem máscara. A máscara é uma barbaridade nas relações sociais em que vivemos, é importante que não nos habituemos a este apetrecho.”

Outras medidas a aplicar imediatamente, na opinião de Agostinho Marques, são a redução do período de isolamento de sete para cinco dias – uma medida que “já vai muito atrasada” – e alteração da política de testes à covid-19, deixando a testagem sistemática e passando a testar uma amostra – como acontece com a gripe.

“A evolução tem tudo para ser favorável porque a positividade massiva de janeiro imunizou, complementarmente à vacina, imensas pessoas que agora estão mais resistentes”, justifica.

O pneumologista reconhece que o Governo queira ouvir os especialistas antes de tomar qualquer decisão, no entanto critica a demora das autoridades portuguesa a aliviar medidas de restrição.

“As autoridades portuguesas têm sido muito lentas a reagir, muito medrosas, sobretudo quando se trata de aligeirar. E tenho ideia que muitos dos peritos que são ouvidos também o são, são muito conservadores.”

Para Agostinho Marques, o exemplo de outros países europeus no alívio das medidas “será o motor que vai levar as autoridades portuguesas aligeirar as restrições”.