Crise Climática

Biden promete regresso dos EUA ao acordo de Paris se for Presidente

Jonathan Drake / Reuters

Os Estados Unidos abandonaram oficialmente o acordo climático a 4 de novembro.

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, afirmou na quarta-feira que, se for eleito Presidente, os Estados Unidos vão regressar ao acordo climático de Paris.

A declaração de Biden foi feita no dia em que o país, o segundo mais poluente do mundo atrás da China, deixou formalmente o pacto global firmado há cinco anos com o objetivo de travar a ameaça de uma mudança climática catastrófica, mas que o Governo de Donald Trump decidiu abandonar há três anos.

"Hoje [4 de novembro] a administração Trump abandonou oficialmente o acordo climático de Paris. E, em exatamente 77 dias, uma administração Biden voltará a aderir" ao pacto, escreveu o ex-vice-Presidente democrata na rede social Twitter.

A saída do acordo, com o qual o Governo anterior do democrata Barack Obama se tinha comprometido em 2015, significa o fim de todos os compromissos que os EUA tinham assumido para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025, entre 26 e 28% em relação aos níveis de 2005.

Biden está à frente na corrida para conquistar os 270 votos do Colégio Eleitoral, mas ainda há muitos votos por contar.

Existem 189 países que permanecem comprometidos com o acordo de Paris de 2015, que visa manter o aumento das temperaturas médias mundiais "bem abaixo" dos 2ºC, idealmente menos de 1,5ºC, em comparação com os níveis pré-industriais. Outros seis países assinaram, mas não ratificaram o pacto.

Para os cientistas qualquer aumento acima dos 2ºC pode ter um impacto devastador em grandes partes do mundo, elevando o nível do mar e agravando tempestade tropicais, secas e inundações.

O acordo de Paris exige que os países definam as próprias metas voluntárias para reduzir os gases com efeito estufa, como o dióxido de carbono.

Os EUA são o segundo maior emissor do mundo, depois da China, de gases que retêm calor, como o dióxido de carbono, e a sua contribuição para a redução de emissões é considerada importante.

Nas últimas semanas, China, Japão e Coreia do Sul juntaram-se à União Europeia (UE) e vários outros países no estabelecimento de prazos nacionais para parar de lançar mais gases de efeito estufa na atmosfera.

O governo alemão disse que é "lamentável" que os EUA tenham abandonado o pacto.

"É ainda mais importante que a Europa, União Europeia e Alemanha deem o exemplo", afirmou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, citando o objetivo da UE de se tornar no primeiro continente com impacto neutro para o clima até 2050.

Embora a administração de Trump tenha evitado medidas federais para reduzir as emissões, Seibert observou que algumas cidades e empresas dos Estados Unidos avançaram com os seus próprios esforços.

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