Crise Climática

Associação Zero defende fim dos veículos movidos a combustíveis fósseis na Lei do Clima

Um dos sensores de monitorização ambiental que foram instalados pela Câmara Municipal de Lisboa para controlar em tempo real a qualidade do ar, níveis de ruído ou do trânsito, em Entrecampos, Lisboa

MÁRIO CRUZ

"Não há, nem vai haver vacina para o clima, por isso é preciso apostar na prevenção", sublinhou Francisco Ferreira.

A associação ambientalista Zero insistiu hoje, no parlamento, no fim da venda de veículos com motor a combustão na próxima década, no âmbito da discussão da futura Lei de Bases do Clima, na comissão criada para o efeito.

"Qualquer veículo com motor a combustão, seja a gasolina, gasóleo ou os híbridos, devem deixar de ser vendidos, porque é indicativo que o setor, a partir deste ano, vai ser responsável pela emissão de gases de efeito estufa", afirmou Francisco Ferreira, presidente da Zero.

Da mesma forma, defendeu que devem terminar os subsídios para os combustíveis fósseis, assim como as compensações pelas emissões de efeito estufa, sem os quais não se atinge a neutralidade climática.

Entre as recomendações feitas hoje ao grupo de trabalho para discutir, na especialidade, a futura Lei de Bases do Clima, a Zero propôs a definição de metas, uma das quais a redução para 2030 de 60% das emissões em relação a 2005.

Para esta associação ambientalista, a Lei de Bases do Clima e as respetivas políticas ambientais "devem ser firmemente apoiadas na ciência" e devem ser sustentadas no princípio do 'poluidor-pagador', sendo por isso "fundamental a aplicação de uma taxa de carbono".

Para se atingir a neutralidade climática e não apenas carbónica, a Zero preconizou que as políticas devem ter em conta a redução de emissões não só de dióxido de carbono, mas também dos restantes gases com efeito estufa.

"Não há, nem vai haver vacina para o clima, por isso é preciso apostar na prevenção", sublinhou Francisco Ferreira.

A associação defendeu ainda a elaboração de "orçamentos de carbono" a cada cinco anos, com a definição de "tetos para cada setor", e a existência de uma Assembleia Climática de Cidadãos e outras formas de participação pública nas políticas ambientais.

Nesse contexto e no âmbito da discussão pública da futura Lei de Bases do Clima, a Zero promove uma sessão pública no dia 16, pelas 14:30.