Alterações Climáticas

Fundação Nobel desfaz-se dos investimentos em petróleo

Vasily Fedosenko

A fundação que financia e organiza os Prémios Nobel anunciou que vendeu as participações ligadas ao setor do petróleo, depois de se ter igualmente retirado da indústria do carvão.

"Vendemos este ano as nossas ações no petróleo", declarou Vidar Helgesen, o novo dirigente da fundação baseada em Estocolmo, à rádio sueca SR.

O antigo ministro do Clima e Ambiente norueguês adiantou que este investimento, de cerca de 350 milhões de coroas norueguesas (perto de 35 milhões de euros), estava realizado num fundo que não dispunha de "restrições suficientemente fortes sobre o petróleo".

Para Helgesen, é importante que os laureados com o Prémio Nobel saibam de onde vem o dinheiro do seu prémio.

"O publico espera que qualquer pessoa com capitais e investimentos" aja nos mercados "com sabedoria", disse.

"Como vários dos nossos prémios são destinados à ciência, é natural que se apoiem sobre a ciência em matéria de alterações climáticas e sustentabilidade", estimou Helgesen, quando questionado pela AFP.

Instituição privada fundada na base do testamento do inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896), criador dos célebres prémios há mais de um século, a Fundação Nobel gere uma carteira avaliada em cerca de 500 milhões de euros, com cerca de 4,8 mil milhões de coroas suecas em investimentos, segundo o seu último balanço.

À semelhança das contradições do inventor da dinamite, a Fundação Nobel foi criticada nos últimos anos por ter detido, indiretamente, via fundos de investimentos, participações em setores controversos, como armas ou tabaco.

Os prémios Nobel, que recompensam os que agiram "para o benefício da Humanidade", são dotados cada ano de 10 milhões de coroas suecas por disciplina, financiados por estes investimentos.

A fundação dos Prémios Nobel já se tinha desembaraçado das suas participações ligadas ao carvão, sublinhou Helgesen.

Hoje, a Agência Internacional de Energia alertou que as emissões mundiais de dióxido de carbono deveriam alcançar um nível inédito até 2023 e continuar a crescer depois, apesar das declarações dos dirigentes internacionais sobe reduções rápidas destas emissões.