Alterações Climáticas

Prémio Gulbenkian para a Humanidade atribuído à maior aliança global de cidades para o clima

Prémio Gulbenkian para a Humanidade atribuído à maior aliança global de cidades para o clima
Fundação Gulbenkian

Aliança Global Covenant of Mayors distinguida vai utilizar prémio para financiar projetos em cidades da África subsariana.

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade foi hoje atribuído à aliança Global Covenant of Mayors for Climate & Energy para projetos no Senegal e nos Camarões.

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade será entregue no dia 9 de novembro na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que se realiza em Glasgow, na Escócia.

O montante de 1 milhão de euros do Prémio Gulbenkian vai financiar projetos de grande dimensão em cinco cidades no Senegal (fornecimento de água potável) e numa cidade nos Camarões (desenvolvimento de soluções de eficiência energética). Estes projetos, de elevada ambição climática, foram identificados pela Fundação Gulbenkian, em conjunto com a equipa técnica da organização premiada.

Segunda edição do prémio que distinguiu Greta Thunberg em 2020

No valor de 1 milhão de euros, o prémio foi instituído pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2020 com o propósito de distinguir pessoas, grupos de pessoas ou organizações de todo o mundo que se têm evidenciado no combate à crise climática e cujas contribuições se destacam pela originalidade, inovação e impacto.

A primeira edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade distinguiu a ativista ambiental Greta Thunberg, que decidiu distribuir o montante por vários projetos ambientais e humanitários.

Aliança constituída por mais de 10.600 cidades e governos locais de 140 países

"É uma aliança de cidades para apoiar projetos que visem, exatamente, lutar no sentido de assegurar que a urgência da ação climática seja uma realidade assumida por todos, e este prémio vai para cidades da África subsariana", anunciou hoje a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota.

A aliança que é constituída por mais de 10.600 cidades e governos locais de 140 países, incluindo Portugal, vai financiar projetos em cinco cidades no Senegal para o fornecimento de água potável e numa cidade nos camarões para o desenvolvimento de soluções de eficiência energética.

Segundo Isabel Mota, a escolha pretende destacar, por um lado, o papel das cidades no combate à crise climática e, por outro, a importância de apoiar projetos direcionados para as populações que são simultaneamente mais desfavorecidas e mais afetadas pelas alterações.

"Acho que o resultado a que chegamos responde àquilo que a Fundação quer com o prémio: reconhecimento, alerta para a urgência climática, o papel que as cidades têm que ter nesta luta e apoiar os mais desfavorecidos atingidos pelos efeitos das alterações climáticas", resumiu.

Numa mensagem áudio transmitida na cerimónia de apresentação do prémio, um dos presidentes da aliança, Michael Bloomberg, agradeceu a distinção e destacou o papel das autarquias locais no combate às alterações climáticas.

"As cidades são a chave para vencer a batalha contra as alterações climáticas. E apoiando-as e ajudando-as a trabalhar juntas, podemos fazer muito para acelerar o progresso global", afirmou, sublinhando que a pandemia da covid-19 tornou esse trabalho ainda mais importante.

Sobre o papel das cidades, o vice-presidente do prémio Gulbenkian para a Humanidade, Miguel Bastos Araújo, apontou também o impacto que estas têm no agravamento e, por isso, no combate à crise climática.

"Quando fizemos esta escolha, tivemos em linha de conta o facto de 55% da população mundial viver em áreas urbanas. Apesar de ocuparem apenas 2% da superfície terrestre, as cidades representam 70% das emissões de gases com efeito de estufa e dois terços no consumo de energia", explicou, defendendo que qualquer solução para a crise climática para por aí.

Questionado sobre a importância das políticas locais, comparativamente a políticas públicas implementadas pelos governos nacionais, Miguel Bastos Araújo acrescentou que "todos têm de tratar do assunto".

Segundo o vice-presidente do júri, a Fundação recebeu 113 nomeações para o prémio, das quais 40 reuniam, no entender do painel, condições de grande mérito. Desses, a escolha final resumiu-se a três projetos que reuniram o consenso dos membros do júri.

Na primeira edição, o prémio foi entregue à ativista sueca Greta Thunberg, que aplicou a verba no apoio de vários projetos escolhidos por si, incluindo iniciativas para apoiar o combate à covid-19 na Amazónia, vítimas de catástrofes naturais na Índia, Bangladesh e em países africanos, na transição energética em África.

Nesta edição, os projetos a apoiar foram previamente acordados entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a aliança vencedora.

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