Crise Migratória na Europa

Manifestação na ilha grega de Lesbos contra novo campo de migrantes

Os ilhéus apontam problemas de insegurança e de saúde pública.

Manifestação na ilha grega de Lesbos contra novo campo de migrantes
PANAGIOTIS BALASKAS

Uma nova manifestação está marcada para esta quinta-feira na ilha grega de Lesbos para protestar contra um novo campo de migrantes, depois de na quarta-feira uma outra manifestação ter resultado em mais de 60 feridos, informou a polícia.

O novo protesto foi organizado pela câmara de comércio local e as associações de comerciantes de Lesbos, que pediram aos manifestantes para paralisarem as atividades e anunciaram que as lojas estarão hoje fechadas, pelo segundo dia consecutivo.

Na quarta-feira, mais de 60 pessoas, a maioria das quais polícias, ficaram feridas em violentos confrontos em Lesbos e Chios, ilhas situadas no mar Egeu, perto da Turquia, onde o Governo grego deu início à construção de novos campos para migrantes.

Os ilhéus apontam problemas de insegurança e de saúde pública para contestar os novos campos migratórios.

A polícia de choque, que esteve na quarta-feira nos protestos, deixou, entretanto, as ilhas.

"A esmagadora maioria das forças antimotim deixou as ilhas na manhã de quinta-feira voltando à Grécia continental", disse o porta-voz da polícia, Thodoros Chronopoulos.

O protesto de quarta-feira resultou em "43 polícias com ferimentos ligeiros em Lesbos, mas estão fora de perigo", acrescentou.

O Governo grego divulgou, em novembro último, que pretendia substituir os campos de processamento e de acolhimento (conhecidos como 'hotspots') nas ilhas gregas no mar Egeu, atualmente sobrelotados e com condições de vida classificadas como desumanas, por novos centros, que iriam funcionar em regime de detenção.

A ideia de erguer novas estruturas para migrantes nas ilhas suscitou críticas de organizações não-governamentais, dos autarcas e das populações daqueles territórios insulares.

Ao longo dos últimos meses, os ilhéus têm contestado fortemente, com manifestações e paralisações, os planos do Governo grego liderado por Kyriakos Mitsotakis, temendo que os novos centros migratórios coloquem um fardo adicional ao funcionamento daquelas comunidades.

Mais de 38.000 requerentes de asilo vivem atualmente em sem condições nos atuais campos das ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Leros e Kos, planeados originalmente para acolher 6.200 pessoas.

Mas os habitantes das ilhas opõem-se fortemente aos planos de construir novos campos, reclamando que sejam transferidos para a Grécia continental.