Crise Migratória na Europa

Pressão turca e conflito sírio na agenda dos chefes da diplomacia da UE

SEDAT SUNA

Turquia tem cerca de 4 milhões de refugiados, maioria sírios.

Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) vão reunir-se entre hoje e sexta-feira em Zagreb para debater a tensão com a Turquia, após a abertura de fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados, nomeadamente da Síria.

Em causa está a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE – e na qual participará o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva –, que se realiza hoje na capital croata no âmbito da presidência rotativa da UE, que é agora liderada pela Croácia, o país mais ‘jovem’ da União.

Inicialmente, só estava agendado este encontro informal, mais conhecido como 'Gymnich', mas as atuais tensões entre Bruxelas e Ancara e os desenvolvimentos do conflito sírio em Idlib motivaram também a convocação de um Conselho formal dos Negócios Estrangeiros da UE, que decorre na sexta-feira.

No Conselho de sexta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE vão, então, “trocar pontos de vista sobre os recentes desenvolvimentos na Síria, focando-se principalmente no conflito em curso em Idlib”, de acordo com a convocatória.

Ao mesmo tempo, o Conselho vai” discutir formas de responder à crise humanitária em curso e de conter as tensões na região, tendo em vista uma solução política”, bem como debater aspetos relacionados com as migrações, segundo a mesma informação.

Nos últimos dias, a tensão entre Ancara e Bruxelas tem vindo a intensificar-se após a Turquia ter anunciado a abertura de fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a UE, ameaçando assim falhar os compromissos assumidos com o bloco comunitário.

Com a medida, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende garantir mais apoio ocidental na questão síria, mas a intenção já foi veemente criticada por líderes de topo da UE, inclusive pela presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen.

Na terça-feira, a responsável avisou a Turquia: “Todos os que tentam testar a unidade europeia vão ficar desapontados, pelo que esta é altura de reafirmarmos os nossos valores europeus”.

Já no dia seguinte, o vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, anunciou um pacote de medidas de apoio à Grécia para fazer face à pressão no país, nomeadamente de migrantes vindos da Turquia, esperando evitar o “cenário dramático” e a crise migratória de 2015.

Tanto Ursula von der Leyen como Margaritis Schinas vincaram que “as pessoas [migrantes] não são meios para atingir determinados fins” nem devem ser usadas como “armas de arremesso” pela Turquia.

Apesar a Bulgária e o Chipre também serem pressionados, é sobretudo a Grécia que enfrenta esta pressão migratória nas suas fronteiras externas com a Turquia, o que levou o país a pedir, no passado domingo, que a agência europeia da guarda costeira, a Frontex, lançasse uma intervenção rápida nas fronteiras externas da Grécia no Mar Egeu.

A Bulgária também solicitou apoio europeu para lidar com a chegada de migrantes e refugiados à sua fronteira.

A UE e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no âmbito do qual Ancara se comprometia a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de ajuda financeira.

Porém, a Turquia, que acolhe no seu território cerca de quatro milhões de refugiados, na maioria sírios, anunciou ter aberto as fronteiras com a Europa, ameaçando deixar passar migrantes e refugiados numa aparente tentativa de pressionar a Europa a assegurar-lhe um apoio ativo no conflito que a opõe à Rússia e à Síria.