Crise na Venezuela

Parlamento venezuelano pede ajuda internacional para evitar catástrofe

Manaure Quintero

A crise política, económica e social agravou-se desde janeiro na Venezuela.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela pediu esta terça-feira mais ajuda internacional para evitar que a crise no país se converta numa catástrofe.

"Eles (Governo) pretendem ter o povo em permanente emergência. Já a crise não é só nacional, é regional e mundial. É a crise migratória mais severa do mundo", disse o presidente do parlamento, maioritariamente da oposição.

Juan Guaidó falava numa sessão em que vários venezuelanos denunciaram como são afetados diariamente pela cada vez mais "severa" crise económica e de serviços públicos na área da saúde, transportes, eletricidade e água potável.

"Hoje, adoecer na Venezuela é uma sentença de morte, a emergência vai a caminho de se converter numa catástrofe. Estamos à beira de uma catástrofe humanitária", frisou.

Durante a sessão, o deputado José Trujillo fez um apelo ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à comunidade internacional para que "vejam o sofrimento dos venezuelanos".

"É hora para que os organismos internacionais pressionem com mais força", sublinhou.Já o deputado Ángel Medina apelou aos "organismos internacionais para que destinem mais recursos" para responder à crise no país que considerou ser "consequência de um modelo (político-económico) que se tenta implementar na Venezuela e que hoje tem efeitos em toda a América Latina".

Durante a sessão, a doente oncológica Mildred Varela explicou como é difícil o dia a dia para ela e outros pacientes com cancro, num país onde os medicamentos escasseiam e são muito caros tendo em conta o salário mínimo local de 40.000 bolívares (2,04 euros à taxa oficial).

"Com muita dificuldade cumpro o meu tratamento porque há mais de um ano que a Segurança Social não me dá os medicamentos. O meu medicamento custa mais de 300 mil bolívares (15,32 euros) e devo tomá-lo mensalmente", disse Mildred Varela.

A doente explicou que "dá dor ver mulheres que começaram com um simples nódulo" e que, por falta de recursos, têm de madrugar nos hospitais para ser atendidas por um médico. Mildred frisou ainda sentir que "a Venezuela também tem um cancro", mas que a população não se pode resignar a isto.

Benilde Camacho explicou que em Guatire falta diariamente a luz e a água, uma situação que segundo o comerciante Orlando del Valle também acontece nos bairros de Caracas, onde a água chega a faltar longos períodos e há epidemias de piolhos e de sarna.

"Usar um serviço de transporte público hoje é algo inumano, degradante", explicou o reformado Ricardo Sansone, precisando que mais de 4.000 autocarros estão parados por falta de peças de reposição e que o Metropolitano de Caracas regista falhas frequentemente.

A crise política, económica e social agravou-se desde janeiro último na Venezuela, depois de o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaido, jurar assumir as funções de presidente interino do país.

Mais de quatro milhões de venezuelanos emigraram desde 2015, fugindo da crise que afeta o país.

Lusa

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