Eleições Legislativas

Legislativas: a segunda maioria absoluta rosa, as surpresas (à direita) e os quatro derrotados

31.01.2022 04:17

Portuguese incumbent Prime Minister and leader of the Socialist party (PS) Antonio Costa waves as he addresses the nation after winning the Portugal’s General Election in Lisbon, Portugal, on January 30, 2022. (Photo by Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images)

A noite eleitoral terminou com o país pintado de cor-de-rosa (só a Madeira escapou). Costa fez história, mas à direita no Parlamento são muitas as cadeiras que vão mudar de cor.

O grande vencedor da noite foi António Costa. Pediu e os portugueses confiaram-lhe a segunda maioria absoluta da história do PS. Entre os vencedores constam ainda André Ventura, que conquistou o terceiro lugar, e João Cotrim de Figueiredo, que passará a ter a companhia de sete liberais. Menos feliz foi a noite para os parceiros da geringonça, para o líder do PSD e para Francisco Rodrigues dos Santos, que anunciou a demissão.

À boca das urnas, as primeiras projeções deram desde logo uma vitória confortável ao Partido Socialista (PS), prevendo-se como possível a ecogeringonça proposta por Rui Tavares. A dúvida, ao início da noite, era o terceiro lugar: Chega ou Iniciativa Liberal (IL), um deles iria certamente ocupar o lugar do Bloco de Esquerda como terceira força política no Parlamento.

Mais atrás surgia a CDU, que bem cedo viu ser anunciada a saída da bancada parlamentar de dois pesos pesados: António Filipe (Santarém) e João Oliveira (Évora). Sem mais demoras, cerca das 22:00, o secretário-geral do PCP deu o pontapé de partida aos discursos dos líderes partidários.

Jerónimo admite quebra eleitoral

Apontando o dedo ao PS por ter precipitado estas eleições, Jerónimo de Sousa admitiu “uma quebra eleitoral com significativas perdas de deputados”, mas deixou a porta aberta a entendimentos com Costa – que a esta hora ainda não tinha como certa a sua maioria absoluta.

Lusa

Partidos da “geringonça” com derrotas pesadas

A Jerónimo, seguiu-se a Catarina. Pouco depois de ser oficial que José Manuel Pureza também estava de saída do Parlamento, foi a vez da coordenadora do Bloco de Esquerda reconhecer a derrota.

Com pesadas derrotas, os parceiros da geringonça davam assim por terminada a noite eleitoral. Juntos, Bloco e CDU, perderam 20 deputados, 14 e seis, respetivamente.

Líder do CDS-PP demite-se

Mas, a maior e mais pesada derrota da noite estava para ser anunciada. O CDS, que em 2019 elegeu cinco deputados, não conseguiu eleger nenhum deputado. O líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos, assumiu a derrota e apresentou a demissão. “Estes resultados não deixam margem para dúvidas: deixei de ter condições para liderar o CDS”, disse.

EPA

Saída de Rui Rio em aberto

Se o líder centrista bateu com a porta, Rui Rio deixou-a encostada. Assumindo que o resultado ficou “abaixo” do esperado, o líder do PSD admitiu, quando estava já à espreita a maioria absoluta do PS, que este é um cenário no qual não sabe onde se encaixa: “Sinceramente não estou a ver como é que posso ser útil neste enquadramento”.

De festa foi a noite do Chega e da Iniciativa Liberal. O partido de André Ventura conquistou o terceiro lugar no pódio, ao eleger 12 deputados. Logo atrás, como quarta força política na Assembleia da República, outra das grandes surpresas da noite: a IL. João Cotrim de Figueiredo vai passar a contar com a companhia de sete liberais.

Lusa

Costa agradece aos portugueses

Por esta altura, e com mais de 98% dos votos apurados, o grande vencedor da noite apareceu. Visivelmente emocionado, e de gravata vermelha (e não verde), António Costa agradeceu o “voto de confiança” dos portugueses, que “mostraram um cartão vermelho à crise política” e lhe confiaram uma maioria absoluta que, prometeu, “não é o poder absoluto, não é governar sozinho”.

Lusa

Ao cair do pano, e com a eleição garantida em Lisboa, Inês Sousa Real encerrou os discursos dos líderes partidários, assumindo o “mau resultado” e anunciando uma “reflexão interna” que a direção do PAN terá de fazer. Sem grandes euforias mas satisfeito, Rui Tavares classificou a sua eleição como uma “segunda oportunidade” para o Livre. Resta saber se António Costa, agora absoluto, vai ser “fiel à palavra que deu”.

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