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Eleições Legislativas

Problemas na Saúde dominam debate 'quente' entre Montenegro (AD) e Ventura (Chega)

Os problemas no setor da Saúde foram um dos grandes temas do frente-a-frente entre o presidente do PSD e o líder do Chega. Mas logo no início do debate, Montenegro afirmou que é "impossível" governar com Chega e aproveitou, até, para deixar uma palavra aos eleitores do Chega: "Têm um caminho de esperança na AD". Já André Ventura

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Montenegro afasta Chega com um "nunca", Ventura ataca com "óculos cor-de-rosa de país porreiro"

O líder da AD deu o pontapé de saída, no debate desta noite na SIC, com a certeza de que “é impossível” governar com o Chega e vincando que o “não é mesmo não”. O que não pareceu deixar André Ventura preocupado: “Você não é de confiança”. Feitos os esclarecidos de parte a parte e cara a cara, Saúde e Imigração foram os temas de uma frente-a-frente que foi aquecendo, e que terminou com ambos a trazerem o PS para a discussão: “Ventura veste hoje uma gravata muito condizente com a que foi a sua ação política este ano” - “Diferença para António Costa só os olhos azuis, de resto é a mesma coisa”.

O debate AD - Chega na íntegra

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O líder da AD-Coligação PSD/CDS e o líder do Chega defrontaram-se esta noite da SIC, num frente-a-frente moderado por Clara de Sousa. Se para André Ventura os debates terminaram, para Luís Montenegro este foi o penúltimo debate antes de defrontar o secretário-geral do PS.

"Quero que todos os pensionistas tenham uma pensão equivalente ao salário mínimo"

"Somos candidatos a primeiro-ministro mas o Chega prevê um crescimento de 2.2. e 2.4 quem é o adulto na sala? Fizemos as contas, onde andam milhões e milhões de dinheiro? Na distribuição do Estado em observatórios, fundações, nomeações política e em cargos que não interessam para nada por isso propomos uma auditoria completa às despesas do Estado para garantirmos que não continuamos a pagar a carga fiscal que o senhor nos deixou".

Garantindo que "o programa do Chega não é de 40 mil milhões, isso é o da AD, mas não vou mentir, queremos mesmo acabar com as portagens, e quero mesmo que todos os pensionistas tenham uma pensão equivalente ao salário mínimo. Sabe o que vi nos últimos dias? Que o Luís Montenegro veio atrás do André Ventura mas não devia fazê-lo eleitoralmente mas porque milhões de idosos estão na pobreza e mereciam dignidade".

Défice? Montenegro diz que "toda a gente se enganou" em 2024

Luís Montenegro diz que projeta crescimento económico com prudência, apesar dos excedentes serem limitados. Diz que, no ano passado, "toda a gente se enganou", quando duvidava do excedente económico do seu executivo.

Volta a virar o tabuleiro para o Chega, apontando que o programa leitoral do partido apresenta um impacto de 40 mil milhões de euros.

"Precisa de dizer onde vai buscar a sustentação do programa económico", declara.

"Se o nosso programa é irrealista, o do PSD é estratosférico"

Quem são afinal os autores do programa eleitoral do chaga? "O nosso grupo parlamentar. Os nosso deputados", um deles, elencou, o "Eduardo Teixeira e outros que vieram do PSD porque já não dava mais"

Sobre a crítica de que é irrealista, "se assim é o do PSD é estratosférico. (...) Quando chega aqui e diz que o Chega teve sempre contra o Governo. Nós queremos acabar com as portagens - mil milhões de euros - porque passamos a fronteira em Vilar Formoso e não se paga. São estradas que já pagámos 40/50 vezes. Nós aliamo-nos com os portugueses para acabar com uma vergonha que foram os contratados de concessão. O Interior não pode continuar a pagar um inferno de portagens, todos beneficiaremos com isso. Em Espanha, PIB quase igual, e nós estamos inundados em portagens. Servem para alimentar uma classe política que se acopolaram a estas empersas: nós pagamos e eles vivem à nossa conta. Não precisamos de uma classe política parasitária"

A gravata rosa que denuncia a "aliança" do Chega ao PS

Luís Montenegro admite que "houve necessidade", durante a legislatura que agora termina, de fazer acordos com o PS, mas defende que foi apenas para "melhorar a vida das pessoas".

Já André Ventura, acusa Montenegro, votou a favor de iniciativas do PS, "a favor da instabilidade". "Só pode ser por birra política", atira.

O líder da AD assinalou ainda que Ventura veste hoje "uma gravata muito condizente com a que foi a sua ação política este ano". Isto porque o líder do Chega traz uma gravata rosa, a cor do Partido Socialista.

"Qual é a diferença para António Costa? Só os olhos azuis, de resto é a mesma coisa"

Criticando o facto de o adversário dizer que o Chega ter um ou 50 é a mesma coisa, Ventura contra-atacou dizendo: "Não fui eu que andei a votar com o PS e com a geringonça, isso foram vocês".

"Votar no PS ou no PSD é a mesma corrupção, são os mesmo boys, os mesmos salários miseráveis. É a mesma coisa"

Sabe qual é o valor da pensão mínima de velhice? 255 euros. Sabe quanto ganha um bombeiro no início de carreira? Um auxiliar de educação em início de carreira? Não sabe mas enquanto estes ganham miseravelmente, o seu governo permite que pessoas como Mário Centeno ganhem o valor que foi noticia hoje"

"Consigo, há ainda mais tachos pelo país todo, é ainda mais grave do que com o PS"

Quanto à falta de médicos família, o líder do Chega salienta que "é amesma promessa, e o mesmo falhanço. Permitiram que toda a gente entrasse aqui, e teve políticas para quem interessava, sacar impsotos - maior carga fiscal de sempre, recorde este ano -, voltámos a ter a mesma lógica do PS: sacar impostos e distribuir pelos coitadinhos: ciganos, imigrantes. Qual foi a sua diferença para a António Costa? Só os olhos azuis, de resto é a mesma coisa"

Montenegro chama eleitores que votaram no Chega

"O André Ventura não sabe o que diz", atira Montenegro, acusando o líder do Chega de "conviver mal com a verdade" e de gostar disso.

"A sua utilidade é a mesma quer tenha 1 deputado ou 50", diz Luís Montengro a André Ventura, dirigindo uma palavra aos eleitores do Chega: "Têm um caminho de esperança na AD".

O líder da AD insiste que o país está, hoje, "muito melhor" em áreas como a imigração, carga fiscal e pensões e acusa Ventura de ter tentado "instrumentalizar" as lutas de setores com quem o Governo conseguiu, no fim de contas, chegar a acordo, como as forças de segurança.

Regressando ao tema da Saúde, Montenegro admite que não conseguiu cumprir o objetivo de dar médicos de família a todos. "Também não chegámos ao final do ano de 2025...", acrescenta.

Não se comprometendo com uma data para resolver o problema, diz apenas que é preciso abrir concursos de recrutamento, criar mais unidades de saúde tipo C eestimular parceriascom o setor social.

"Faz algum sentido que uma grávida tenha de ligar?"

"No PSD estamos conversados sobre resultados não venha é dizer que eu andava atrás de si", fechou o tema.

Mas é preciso tirar "os óculos cor-de-rosa de que tudo está tudo bem" porque aquilo que, disse, o Governo faz é "maquilhar as urgências com a necessidade de ligar: faz algum sentido que uma grávida tenha de ligar? Podem estar a morrer, a ter filhos, a ter um acidente, mas ligue. Isso não é lealdade, isso é governar mal"

O Chega, disse, defende uma "sinergia entre público e privado" e "coragem de olhar olhos nos olhos para os cargos de boys à frente do SNS". Se o Chega for governo "no primeiro dia é correr com esta malta que só esta a sacar dinheiro dos nossos impostos. Metade vão ser postos na rua e pela primeira vez vamos ter a Saúde a funcionar.

"Sabia que é o primeiro-ministro que mais nomeações políticas fez nos últimos 20 anos?" questionou Ventura e Montenegro respondeu: "Isso não é verdade". O líder do Chega avançou com números: no 3.ª trimestre teve mais de 26 mil cargos políticos é tacho atrás de tacho"