"Precisamos de vencer", do apelo de Pedro Nuno ao aviso de Mortágua: "Quem fica à frente não resolve"
José Fonseca Fernandes

Terminado

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"Precisamos de vencer", do apelo de Pedro Nuno ao aviso de Mortágua: "Quem fica à frente não resolve"

O tema da defesa foi o tiro de partida do debate de estreia do líder socialista, Pedro Nuno Santos, e da coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, na SIC, mas com muito a separá-los. O mesmo aconteceu com o tema da crise na habitação. Mas se para Mortágua "há sempre" disponibilidade para um acordo, para Pedro Nuno o que o país precisa "é da vitória do PS". Reveja abaixo os principais momentos do frente-a-frente, o primeiro na SIC, e as análises e as notas dadas pelos comentadores SIC.

Todo o direto

Pedro Nuno Santos aposta no apelo à "não dispersão", Mariana Mortágua alerta para perigo da "bala de prata"

Foi na SIC, a estreia de Pedro Nuno Santos (PS) e Mariana Mortágua (BE) nos debates das eleições legislativas. Defesa, habitação e imigração foi os temas dominantes num frente-a-frente morno no tom mas aceso nas divergências. Mas ao cair do pano, a coordenadora do Bloco não fechou a porta a um acordo, não deixando de criticar a “bala de prata" do adversário, já o socialista evitou a questão, optando por apelar a que "não se dispersem votos".

"O primeiro lugar não determina nada"

"O PSD ficou à frente e isso não impediu instabilidade. Aquilo que Pedro Nuno Santos diz quando quer ser o mais votado é que tem uma bala de prata que é Luís Montenegro. Está à espera de governar com o apoio ou a viabilização de Luís Montenegro, de governar com um programa que não tem nenhuma medida diferente daquela que foi tentada até agora na habitação, e está à espera que a pessoa, Luís Montenegro, que Pedro Nuno Santos diz todos os dias que não é confiável, lhe dê confiança para governar com base no seu apoio".

É preciso "dizer a verdade é so baixamos o preço da habitação com tetos nas rendas e são os deputados do BE que conseguem fazer isso".

Disponibilidade para assinar um acordo: "Há sempre".

"Quem fica à frente não resolve. Não diga ao país que a sua bala de prata é Luís Montenegro".

Pedro Nuno pede que "não se dispersem votos"

Pedro Nuno Santos afirma que só governa se vencer as eleições. "Só haverá alternativa à AD se o PS vencer estas eleições", declarou.

"Precisamos de vencer as eleições", sublinha, pedindo que "não se dispersem votos".

"Hoje podíamos ter um governo do PS, se não tivesse havido dispersão de votos", alega.

PS no ataque ao governo sobre tema da imigração

O líder do PS acusa o Governo de ter "atravessado a linha do aceitável" e feito uma "ação de propaganda" e de "ataque" ao anterior governo socialista, esta terça-feira, quando falou sobre o aumento da imigração.

Pedro Nuno Santos defende que a manifestação de interesse fez sentido num certo período de tempo e que muitos setores teriam parado sem ela, mas que hoje é um "mecanismo desajustado". É preciso garantir que as pessoas têm condições dingas de vida, ressalva.

"AIMA foi um desastre administrativo"

No tema imigração, a coordenadora do BE garante que "não cedemos a um princípio básico que é que quem está em Portugal deve regularizar-se. (...) O PS está a abdicar deste princípio em nome de um outro. A AIMA foi um desastre administrativo mas a lei está correta".

Acontece que, "ao lado dessa via verde há uma via amarela - de angariadores que fazem entrar pessoas pela porta do cavalo - e depois há a via vermelha - que é a máfia".

Habitação: "Problema da construção pública é o tempo"

"Os investidores estão a piorar o problema. Enquanto as pessoas não conseguem pagar a casa há fundos de investimento a ganhar 2000%. Os preços das casas aumentaram 9% em 2024 - quatro vezes o que aumentaram na zona euro"

Quanto à construção pública, "o problema é o tempo, o ritmo não é compatível com as necessidades da população", por isso, o modelo que o BE propõe é exatamente o que está em vigor em Amesterdão, onde há tetos às rendas. Se resulta na Holanda, e o PS lá vota a favor, aqui diz-nos que não é possível"

Se a solução, acrescentou, é esperar pela construção "é o mesmo que dizer às pessoas: desistam, porque não vão conseguir".

Pedro Nuno diz que casas inauguradas por Montenegro foram feitas por ele

Em relação ao tema da Habitação, Pedro Nuno Santos diz que lançou um dos maiores programas de construção pública e que casas agora inauguradas por Montenegro e Pinto Luz foram lançadas por ele quando era ministro.

Sobre congelar rendas, como sugere o BE, o líder do PS diz que "há medidas que no papel soam bem, mas depois tem problemas de aplicabilidade". A ideia de Mortágua, afirma Pedro Nuno Santos, não consegue garantir que as casas não são tiradas do mercado de arrendamento para as vendas e que não há pagamentos por fora acima do teto.

E, afirma, mesmo que tivesse o sucesso que Mortágua apregoa, a medida também não resolvia o problema da falta de casas para arrendar. "Acho que a solução do BE é errada", diz.

O líder do PS sugere que os dividendos da Caixa Geral de Depósitos distribuídos ao Estado enquanto acionista sirvam para financiar construção para a classe média.

"Portugal constrói hoje muito pouco. É possível construirmos mais e mais rápido", garante.

Pedro Nuno Santos fala ainda em atrasos no pagamento do apoio ao arrendamento jovem, desde que o governo da AD está no poder.

Tarifas de Trump? Pedro Nuno quer exportar para outros pontos do globo

Pedro Nuno Santos fala em 1700 milhões de euros como valor das medidas propostas no programa do PS. "Queremos pegar na capacidade financeira do Estado e ajudar as famílias, os trabalhadores e os pensionistas, enquanto a AD quer ajudar algumas empresas", defende.

O líder do PS quer uma política de proteção da indústria e critica a falta de estratégia do governo para reagir às tarifas aplicadas pelos EUA. "Precismaos de uma estratégia, o quanto antes, para diversificar as nossas exportações", defende. Ela pode passar por diversificar os mercados - passando a exportar mais para a América do Sul, para África, ond ehá países de língua portuguesa, ou para a Ásia.

"É preciso olhar para outros pontos de globo para onde as emrpesas portuguesas possam exportar", assinalou.