Ucrânia foi trunfo final de Rui Rocha e Paulo Raimundo não gostou: "Fica-lhe mal"
Nuno Fox

Debates

Ucrânia foi trunfo final de Rui Rocha e Paulo Raimundo não gostou: "Fica-lhe mal"

O candidato da Inciativa Liberal e o da CDU encontraram-se, esta noite, na antena da SIC Notícias, num debate com moderação de Nelma Serpa Pinto. A discussão foi animada, mas terminou com Paulo Raimundo indignado com Rui Rocha por fechar a discussão com a guerra na Ucrânia, não dando hipótese ao comunista de responder. Acompanhe, em direto, a análise e notas dos comentadores SIC.

Todo o direto

"Fica-lhe mal acabar o debate nestes termos"

Questionado sobre o slogan do partido "Acelerar Portugal" quando há previsões de défice, o liberal não crê "que seja necessário pôr em cima da mesa, neste momento, a ideia de corte", apesar de admitir que "as tarifas são prejudiciais, o senhor Trump tem de facto uma influência nefasta, o caminho devia ser o contrário".

Mas "a defesa é um imperativo termos um investimento adicional". A este propósito, Rui Rocha trouxe a questão da Ucrânia para cima da mesa, dizendo "que a posição do PCP é a oposta da IL, o PCP entende que Putin fez bem" em atacar a Ucrânia e, perante a contestação do adversário - que disse por várias vezes "fica-lhe mal acabar o debate nestes termos" - o liberal elencou vários projetos de resolução em que o PCP votou contra.

Raimundo diz que resposta a tarifa Trump tem de ser aumentar produção nacional

Sobre as tarifas de Trump, Paulo Raimundo diz que a resposta passa por garantir o aumento da produção nacional e diversificar os mercados, além de fomentar o mercado interno.

"O Estado tem um papel a fazer", defende, lembrando que há setores, como o do vinho, que são altamente prejudicados. "Temos de ajudá-los".

E isso, diz, faz-se, com Portugal a ter uma voz na UE, e não a "beijar a mão" de Trump. "Temos de aproveitar este momento para nos tornarmos o menos dependentes possível", sublinha.

"É alguma extravagância?" CDU quer salário mínimo de mil euros já

Paulo Raimundo defende que "tem de ser possível" aumentar já o salário mínimo para mil euros (e não no final da legislatura, como propõem outros partidos. "É alguma extravagância?", questiona. "Querem chegar a 2029 com um salário inferior ao que se paga hoje em Espanha, aqui ao lado?"

Rui Rocha: "Salários não sobem por decreto"

"Temos quatro anos pela frente, se não conseguimos resolver o problema dos salários, habitação e do acesso à saúde e educação, é porque estamos a falhar. Isos tem de ser um objetivo fundamental. Mas os salários não sobem por decreto mas com produtividade e crescimento económico. Isso é uma visão completamente ao contrário da de Paulo Raimundo"

CDU quer 1% do PIB para tornar património público em habitação

O líder da CDU considera que, na Habitação, é preciso acabar com "o modelo de referência" da IL, "que é o de o mercado resolver tudo". "Aqui não houve mãozinha do Estado", aponta.

Quando Rui Rocha fala no problema do congelamento das rendas, Paulo Raimundo diz que não é por as rendas estarem baixas que as pessoas não conseguem ter casa.

A CDU defende 1% do PIB para reconversão do parque público em parque habitacional. "Porque se ficar nas mãos do mercado do Rui Rocha, isto só vai piorar", alerta. "E não há medidas fiscais que resolvam isso."

IL quer pôr "mercado da habitação a funcionar"

A IL quer pôr "mercado da habitação a funcionar" como? Com "incentivo a mais construção, mais casa cria dinâmica de mercado, queremos também mais celeridade nos processos de licenciamento - que em média demoram dois anos - e, queremos trazer mais casas para o arrendamento".

Sobre a mão do Estado, destacou o liberal que na "habitação em Portugal 30 a 40% do custo são impostos, veja lá se não está aqui a mão do Estado a funcionar"

Rocha: Braga e Loures devem ter saudades das PPP's

Lembrando que é de Braga, Rui Rocha disse que o "Hospital de Braga funcionava muito bem enquantro PPP's, tal como o "Beatriz Ângelo, em Loures, que tinha um serviço de oncologia de excelência" que com o fim da PPP acabou.

Raimundo diz que ideia dos liberais para Saúde é "a lei da selva"

Paulo Raimundo diz que a proposta da IL para a saúde "é a lei da selva". O secretário-geral do PCP diz que não é contra a iniciativa privada na Saúde - "pode haver hospitais e clínicas privados" -, mas que ela não pode ser sustentada com os recursos do Estado.

"Quem quiser ter um negócio privado da Saúde, que tenha. Agora, não pode ser o Estado a sustentar isso", defende.

Paulo Raimundo pede mais profissionais disponíveis para o Serviço Nacional de Saúde e critica as parcerias público-privadas no setor da Saúde.

"É mais uma volta, mais uma voltinha. As crianças não pagam, mas também não andam", ironiza. "Os casos mais complexos, mais difíceis e que custam mais dinheiro são empurrados para o SNS. O Estado paga aos privados para cuidarem e, quando os privados já não querem cuidar, empurram para o SNS e o Estado paga duas vezes".

Rui Rocha apresenta modelo para a Saúde

"Falar de saúde implica falar do cadastro do PCP e da geringonça", criticou Rocha, apontando que para uma análise do contexto é preciso recuar ao tempo em que "havia PPP's em Portugal que serviam os utentes" mas o "PCP não descansou enquanto não convenceu o parceiro [de coligação] a extinguir as PPP's".

"O nosso modelo passa por: o utente escolhe se quer privado, público ou social. É semelhante", explicou, "ao que os funcionários públicos têm com a ADSE. O nosso sistema será para todos, como o SNS, não há gavetas, os portugueses escolhem. Com uma garantia: não pagam mais por isso. Haverá susbsistemas - que serão criados - que os utentes escolhem"

"Se IL tivesse poder, não dava a mão à banca...?"

O líder da CDU sublinha que 16 mil milhões de euros foram parar à banca privada. "Está a tentar convencer-me de que, se a IL tivesse poder governativo, não ia dar a mão ao buraco da banca?", atira.

Paulo Raimundo acusa ainda a IL de querer "privatizar tudo menos a água" e pergunta a Rui Rocha qual o interesse para as pessoas, por exemplo, da privatização dos CTT. O secretário-geral comunista diz que essa privatização só "arrasou" com a entrega postal.