Eleições nos EUA

Trump faz acusações "infundadas" sobre o processo eleitoral dos EUA, afirma OSCE

Carlos Barria

Organização alerta que as acusações "minam a confiança do público nas instituições".

Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disseram que as acusações feitas sobre o processo eleitoral norte-americano, nomeadamente pelo Presidente, Donald Trump, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas.

As "acusações infundadas de deficiências sistemáticas" do processo eleitoral nos Estados Unidos, em particular do Presidente Donald Trump, "prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas", alertou na quarta-feira, num comunicado, a missão de observadores da OSCE nas eleições norte-americanas, que decorreram na terça-feira.

"Depois de uma campanha tão dinâmica, garantir que todos os votos sejam contados é uma obrigação fundamental para todos os ramos do Governo", disse Michael Georg Link, coordenador especial e líder da missão de observação de curto prazo do organismo europeu, no comunicado.

De acordo com a missão de observação, a eleição de terça-feira foi "apertada" e "bem administrada, apesar dos muitos desafios causados pela pandemia de covid-19".

Os observadores notaram que a campanha eleitoral nos Estados Unidos foi caracterizada por uma "polarização política profundamente enraizada, que muitas vezes obscurecia o debate político mais amplo e incluía alegações infundadas de fraude sistemática".

"Alegações infundadas de deficiências sistemáticas, particularmente por parte do Presidente em exercício (Donald Trump), mesmo na noite das eleições, prejudicam a confiança do público nas instituições democráticas", disse o líder da missão.

Na quarta-feira e poucas horas após as primeiras projeções de votos serem conhecidas, Trump denunciou uma "fraude" eleitoral sem fornecer provas e ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal para impedir a contagem dos votos, enquanto Biden pedia paciência até obter os resultados.

Ao longo do dia, a campanha de Trump desafiou o escrutínio em pelo menos quatro Estados importantes, Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Geórgia.

Por sua vez, a chefe da delegação da Assembleia Parlamentar do OSCE, Kari Henriksen, defendeu, segundo o comunicado, "o direito de voto e de que esse voto seja contabilizado" como "um dos princípios mais fundamentais da democracia".

No entanto, manifestou a sua preocupação, num contexto de pandemia da covid-19 e face ao aumento do voto por correspondência, com as "tentativas de restringir a contagem dos votos expressos legalmente".

Há meses que Trump semeia desconfiança no voto por correspondência - apesar de não haver evidências de que isso possa levar a uma fraude generalizada - e no domingo passado anunciou que planeava iniciar um litígio no importante Estado da Pensilvânia.

"Esta eleição ainda não acabou e permaneceremos aqui em Washington e nos principais Estados do país até que acabe", disse Urszula Gacek, chefe da missão de observação do Escritório da OSCE para Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR).

O próximo Presidente dos Estados Unidos será o candidato que conseguir pelo menos 270 delegados do colégio eleitoral.