Eleições nos EUA

Presidente do município de Nova Iorque admite cancelar contratos com empresa de Donald Trump

Tom Brenner

Bill de Blasio ordenou aos seus juristas que "revejam" todos os contratos da cidade com a Organização Trump.

O presidente do município de Nova Iorque disse esta terça-feira que a edilidade admite cancelar os contratos com a empresa do Presidente cessante dos EUA Donald Trump, juntando-se a uma crescente lista de organizações que pretende distanciar-se do magnata.

Na sua conferência de imprensa diária, Bill de Blasio disse que ordenou aos seus juristas que "revejam" todos os contratos da cidade com a Organização Trump, geralmente relacionados com o turismo e que envolvem cerca de 17 milhões de dólares (14 milhões de euros) garantidos pela empresa.

"O Presidente incitou uma rebelião contra o Governo dos EUA, claramente um ato inconstitucional, e morreram pessoas. É imperdoável e a nossa equipa de advogados está a rever as opções", explicou o responsável municipal, numa referência ao assalto ao Capitólio na passada quarta-feira por apoiantes de Trump.

De Blasio acrescentou que aguarda por uma rápida decisão.

Caso cancele os seus contratos, incluindo a famosa pista de gelo de Wolman Rink do Central Park, a cidade de onde é natural do Presidente converte-se na última entidade a prescindir dos seus serviços, ao atribuir-lhe a responsabilidade pelo clima de tensão em Washington.

Hoje, responsáveis do Deutsche Bank, o banco mais utilizado nas últimas décadas por Trump, disseram ao diário The New York Times que a entidade bancária deixará de fazer negócios com ele e a sua empresa, enquanto o Signature Bank, onde tem depositados cinco milhões de dólares (4,1 milhões de euros), também decidiu romper relações.

Na sequência da invasão do Congresso, numerosos responsáveis de empresas criticaram nos últimos dias a atitude do Presidente cessante e decidiram suspender ou congelar as suas doações a legisladores republicanos que votaram contra a confirmação dos resultados das eleições presidenciais de novembro passado.

A retirada do apoio a Trump também abrangeu a sua conta no Twitter, suspensa indefinidamente, a sua empresa de "merchandising" por Internet, encerrada pela Shopify, e o seu passatempo preferido, o golfe, após a associação profissional deste desporto ter decidido cancelar o campeonato de 2022 no seu clube de Bedminster (Nova Jérsia), como estava programado.