O partido republicano passou à tangente o primeiro grande teste ao controlo total do Congresso dos Estados Unidos. A poucos dias de tomar posse, Donald Trump enfrenta já desafios. Na próxima semana, deverá ouvir a sentença do caso de suborno a uma atriz porno.
Não é certo que no próximo dia 10 voltem a surgir imagens de Donald Trump sentado numa sala de tribunal. O juíz diz que poderá apresentar-se pessoalmente ou por videoconferência. Também já excluiu a hipótese de decretar prisão ou multa.
O mais viável, afirma, é aplicar uma rara - dispensa incondicional. Quer isto dizer que Trump não vai cumprir nenhuma pena, mas fica com o registo criminal manchado.
Será, ainda assim, uma data inédita: 10 dias antes de tomar posse, o Presidente eleito dos Estados Unidos vai conhecer uma sentença. Nenhum outro chefe de estado norte-americano, antigo ou em funções, foi acusado ou condenado.
Trump repete que é uma vítima inocente.
"Nunca houve um Presidente que tivesse sido tratado de forma tão cruel e ilegítima como eu. É uma acusação falsa, fabricada por um juiz corrupto que está apenas a fazer o trabalho do Departamento de Injustiça de Biden/Harris. Ele criou um caso onde não havia nada".
Trump já foi declarado culpado por 34 crimes de falsificação de contas relacionados com 126 mil euros pagos pelo silêncio de uma atriz de filmes pornográficos, com quem teve uma relação.
Tentou usar as presidenciais para arquivar o caso, mas o juiz recusa e diz que na decisão pesou a forma como o republicano desrespeita a justiça e o Estado de Direito.
A dias de tomar posse, este não é o único desafio para Donald Trump, cujo partido passou por uma margem estreita, o primeiro grande teste ao controlo do Congresso conquistado nas últimas eleições.
O republicano Mike Johnson foi reeleito presidente da Câmara dos Representantes. Tinha o apoio de Trump, mas a oposição de colegas de partido.
Os congressistas chegaram a ser avisados da iminência de uma segunda votação, mas a primeira ronda manteve-se aberta durante quase duas horas, tempo que foi suficiente para negociar com dois republicanos que mudaram o voto e deram a maioria necessária a Johnson.
Pela frente terá o desafio de liderar a Câmara dos Representantes com a maioria mais frágil do último século.

