Presidenciais

Vitorino Silva vs. Marcelo Rebelo de Sousa: o debate na íntegra

Veja aqui o frente a frente entre o candidato do RIR e o atual Presidente e recandidato ao cargo.

O candidato presidencial Vitorino Silva apelidou Marcelo Rebelo de Sousa de "popular populista", tendo o chefe de Estado recusado, argumentando que também diz "o que as pessoas não querem ouvir", num debate calmo e com alguns risos.

Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, e Marcelo Rebelo de Sousa foram os protagonistas de um frente a frente transmitido, na quinta-feira à noite, no qual Marcelo chegou a chamar a atenção para o facto de ter usado mais tempo do que o oponente.

Ao acusar o Presidente de "embalar" o primeiro-ministro, e vice-versa, Vitorino Silva advogou que isso aconteceu pois Marcelo Rebelo de Sousa tinha interesse num segundo mandato e no apoio do PS à recandidatura (que não tem), mas considerou que António Costa "não quer que Marcelo tenha 70%".

"A minha intenção não era fazer os dez, dez anos [dois mandatos em Belém] era longo demais, e foi a pandemia um fator determinante relativamente à recandidatura", pois "não era possível sair a meio" de uma crise como esta, retorquiu Marcelo Rebelo de Sousa.

No que toca ao segundo mandato, o Presidente defendeu que até 2023, naquilo "que depender" do chefe de Estado, "a legislatura deve durar", pois Portugal não precisa de juntar uma crise política à "crise económica e social profundíssima" que se avizinha.

Quando acabar a legislatura, "o povo é quem mais ordena, elege esquerda é esquerda, elege direita é direita", frisou.

Ao longo do debate, e depois de ter sido comparado a "um verdadeiro analista político", Vitorino Silva fez um balanço positivo do mandato de Marcelo (que mereceu a nota 14), a quem apelidou de "carismático" e "popular populista", mesmo "sem se aperceber".

Enquanto o próprio é "apenas popular", André Ventura "é populista popular", acrescentou.

"Populista é aquele que diz aquilo que as pessoas querem ouvir. Ora, por definição, o Presidente da República tem muitas vezes que dizer coisas que as pessoas não querem ouvir, uns gostam, mas muitos não gostam", salientou Marcelo Rebelo de Sousa, advogando que "quem por ventura queira aparecer como que populista muita vezes não aprecia que haja outros que sejam próximos do povo".

O candidato que é também fundador do partido Reagir, Incluir, Reciclar (RIR), elegeu a abstenção como o "principal adversário" nestas eleições, e defendeu que "o voto é o maior património" e deve ser defendido.

Contrariando a ideia de que os jovens não se interessam com a política, Vitorino Silva contrapôs que "os jovens não se interessam é por políticos" e sugeriu que a juventude esteja representada no Conselho de Estado.

Marcelo concordou que "a democracia vive da participação", e apontou que "não há nada pior do que aqueles sistemas nos quais a abstenção vai subindo, subindo, subindo, e o distanciamento entre políticos, responsáveis e o povo vai aumentando", realçando que os dois apostaram na proximidade no seu dia a dia.

Quanto aos jovens, o Presidente lembrou que é professor e considerou que Vitorino "tem toda a razão quando diz que há uma preparação" e uma "participação política" nas "novas gerações que não havia nos mais velhos".

O antigo autarca e militante socialista considerou igualmente que, enquanto o voto de Marcelo será "tendencialmente idoso", o seu será "caviar e sardinha": "nas últimas eleições não consegui chegar ao voto caviar, só tinha o voto sardinha, mas agora sinto [...] que cheguei ao voto caviar".

No frente a frente, Vitorino Silva mostrou um caderno com os seus pensamentos, para provar que a sua candidatura não foi pensada por "gurus" nem por uma "grande equipa de imagem", e confidenciou que nas últimas diretas no PS apostou "no cavalo errado", tendo apoiado António José Seguro, que perdeu a liderança do partido para o atual secretário-geral, António Costa.

Depois de dizer que gosta do atual chefe de Estado e aprende com ele, Tino convidou Marcelo Rebelo de Sousa para uma ação de campanha em Penafiel, "um pela direita e o outro pela esquerda" na avenida principal.

Questionado ainda sobre a polémica em torno da escolha do procurador europeu José Guerra, o Presidente da República insistiu que "houve uma negligência grave, um desleixo lamentável", e disse que se informou sobre o assunto, mas recusou tecer mais comentários.

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