Presidenciais

Carta ao Presidente: nunca se esqueça que carrega às costas uma Nação inteira

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Mêlissa Ferreira, "uma miúda da geração de 90" que aceitou escrever uma carta ao Presidente da República, seja ele quem for.

Exmo.(a) Futuro (a) Presidente da República, Começo por felicitá-lo (a) e desejar-lhe muita sorte para o seu mandato. A competência da representação da República Portuguesa, prevista no artigo 120º da nossa Constituição, é, na minha humilde opinião, dos poderes mais importantes da Presidência da República.

O meu nome não é relevante, porque falo por grande parte da minha geração (tenho 24 anos), que espera ser representada pela pessoa do(a) Presidente. Nós não esperamos um(a) Presidente perfeito (a), porque nem nós o somos. Queremos apenas alguém que lute pelas nossas batalhas diárias.

Sou de uma geração que sente que quer mudar o mundo e não está a conseguir. Precisamos da sua ajuda. Precisamos de um(a) Presidente sem medo, que lute lado a lado contra a xenofobia, contra a homofobia e contra as alterações climáticas. Precisamos de um(a) Presidente que abrace um cigano, um negro, um branco e um polícia, que fomente o diálogo e não a discórdia. Precisamos de um(a) Presidente que não tenha medo de vetar uma lei que meta em risco a nossa liberdade de expressão e que seja mais intervencionista em políticas ambientais, que são tão discutidas pelos jovens.

Nós somos a geração dos anos 90, nascemos em clima de paz e suposta igualdade, não podemos andar para trás. Precisamos de alguém ambicioso e que tenha como missão garantir a nossa democracia.

A minha geração quer um(a) Presidente que respeite o princípio da separação de poderes, não queremos que seja nenhum juiz, para decidir quem vale ou não a pena representar.

Nunca se esqueça que carrega às costas uma Nação inteira. Temos desde heróis do mar a heróis de grandes empresas, que garantem emprego a muitas pessoas, a heróis da terra, que combatem os fogos, protegem as nossas ruas ou ainda aqueles que se aventuram em missões de paz, para garantir a sobrevivência de outros povos. Temos heróis feirantes, que andam de terra em terra para sobreviver, heróis artistas, que nos embalam com as suas canções que nos dão forças para ir a caminho do trabalho, que nos fazem entrar num mundo paralelo depois do jantar com a família ou que nos fazem dançar com eles.

Por fim, temos também os heróis migrantes, que deixam as suas casas, deixam os seus países e as suas raízes para virem para Portugal em busca de uma vida melhor. O mesmo digo para os que saem de Portugal: por não conseguirem garantir o seu futuro aqui, saem da sua Nação, pelo mundo fora, com um bocadinho do nosso país dentro do seu coração.

Ao contrário do que muitos pensam, sendo descendente de alguém que teve de fugir da guerra e que ainda hoje sofre com isso, ninguém quer deixar o seu país. Fazem-no por uma questão de vida ou morte.

Honre esta Nação valente e imortal! Seja um(a) Presidente da minha geração, da anterior, da posterior, seja um(a) Presidente de todos.

Com os meus melhores cumprimentos Mêlissa Ferreira. Uma miúda da geração de 90.