Presidenciais

Júdice apela ao voto "porque sim" em Cotrim e diz que "jogo está totalmente aberto"

Mandatário nacional de João Cotrim de Figueiredo afirma que presidenciais não estão perdidas só porque as sondagens não anteveem Cotrim numa potencial segunda volta. Compara-o ainda com Mário Soares e com o atleta olímpico.

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O ex-militante social-democrata José Miguel Júdice apelou este domingo ao voto no candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo, lembrando o resultado de Mário Soares na corrida de 1986 e comparando-o ao atleta olímpico e campeão mundial Isaac Nader.

"Nos últimos tempos, o único argumento que ouvi é 'tenho medo que o meu voto possa ser desperdiçado'. Mas não se deixem iludir: o jogo está totalmente aberto", realçou mandatário nacional da candidatura de Cotrim, o advogado José Miguel Júdice, na apresentação oficial que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Numa breve intervenção que antecedeu o discurso do candidato, Júdice salientou que "Cotrim, ao contrário de outros, é apoiado porque sim, enquanto outros muitas vezes serão apenas apoiados porque não".

"Não vejo, como no caso de outros, apoio por mera resignação ou por perigosas ilusões", considerou.

O advogado deixou alguns exemplos "do passado" para "perceber o presente", recuando às eleições presidenciais de 1986, nas quais o histórico socialista Mário Soares "partiu, no mês de outubro, com sondagens que lhe davam 8%, menos do que as sondagens dão ao João".

"Mas passou à segunda volta com 25,43% dos votos. É pois possível superar as sondagens após uma excelente campanha, como manifestamente foi a campanha de Mário Soares. E Cotrim, para passar à segunda volta, nem precisa de ter 25%, bastará alcançar cerca de 20%", salientou.

Júdice socorreu-se ainda de outro exemplo para apelar ao voto no eurodeputado e antigo presidente da Iniciativa Liberal, o do atleta olímpico e campeão mundial de 1.500 metros, Isaac Nader.

"Este ano, na prova dos 1.500 metros do mundial de atletismo, um português conseguiu chegar à final. Mas nenhum comentador lhe dava a mais pequena hipótese de ganhar", realçou.

Isaac Nader, "filho de um imigrante", algo que Júdice registou "com muita alegria e orgulho" - momento que gerou palmas na sala -- "chegou à reta final em quinto lugar e, nos últimos 100 metros, ultrapassou quatro adversários e foi campeão mundial".

"Ou seja, é na reta final que se ganham ou perdem os combates", avisou.

Se por acaso os eleitores "desanimarem, ou se acaso se confrontarem com alguns que continuam a duvidar", Júdice deixou um pedido: "Vejam e revejam o filme da reta final dos 1.500 metros e digam 'Cotrim é o Isaac Nader do campeonato das Presidenciais'".

"Nas circunstâncias do nosso tempo e do nosso espaço, Portugal precisa de um Presidente que possua em grau de excelência três qualidades: ser otimista sobre os portugueses, ser ambicioso sobre Portugal" e "nisso e para isso, construir e revelar uma visão de futuro", elencou.

Cotrim, "quer em mérito absoluto, quer em mérito relativo, possui essas qualidades, sem rival entre os concorrentes", defendeu Júdice.

A apresentação arrancou com uma intervenção da primeira mulher chefe de Governo da Bélgica e atualmente vice-presidente do Parlamento Europeu, Sophie Wilmès, que elogiou a experiência profissional de João Cotrim Figueiredo, considerando que o político "não é do tipo de sucumbir à inércia" tão comummente atribuída às instituições europeias.

Sophie Wilmès manifestou preocupação com o crescimento da extrema-direita não apenas em Portugal como noutros países da Europa, argumentando que os liberais têm que se opor a todos os extremos.

"Nós combatemos estes extremos porque acreditamos que as pessoas merecem um Presidente que realmente os ouve, a todos. Um Presidente que não evita tópicos difíceis, mas os enfrenta com coragem e eloquência", defendeu.

As eleições presidenciais estão agendadas para dia 18 de janeiro.