Presidenciais

Entrevista

Presidenciais: João Cotrim Figueiredo em entrevista à SIC Notícias

O antigo líder liberal e atual eurodeputado é candidato a Belém, apoiado pela Iniciativa Liberal. Em entrevista à SIC Notícias, sublinha que não tenciona desistir a favor de nenhuma outra candidatura e revela que o único candidato que não apoiaria se ficasse fora de uma segunda volta é André Ventura.

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João Cotrim Figueiredo garante que tem dados que o fazem crer na possibilidade de chegar à segunda volta nas eleições presidenciais. O candidato a Belém espera reunir os votos dos indecisos e acredita na transferência de votos durante a campanha. Rejeita, por isso, qualquer ideia de desistir a favor de outro candidato em melhor posição nas sondagens.

Em entrevista à SIC Notícias, Cotrim Figueiredo mostrou-se convicto num cenário em que contraria as sondagens e passa a uma segunda volta. “Não serei o primeiro fazê-lo”, nota. “A História está cheia de candidatos que começaram apenas com um dígito e acabaram a ganhar”, diz, apontando exemplos nacionais como Mário Soares e Rui Moreira, ou mais recentemente, esta semana, o novo mayor de Nova Iorque, Zohran Mamdani.

O candidato aponta que haverá ainda “cerca de 30% de indecisos” e outros “25%” de eleitores que já escolheram em quem votar, mas que ainda admitem mudar de intenção. Defende, por isso, que os atuais resultados das sondagens ainda vão ser baralhados e que a campanha e os debates televisivos que aí vêm farão “muita diferença”.

Cotrim Figueiredo reafirma que, em qualquer caso, não desistirá a favor de outro candidato. “Está completamente fora de questão”, assegura.

Para o candidato apoiado pelos liberais, o “voto útil em eleição presidencial é um disparate”, já que se trata de uma eleição personalizada. “A imagem de qualquer pessoa individual pode valer mais ou menos do que o partido de que é oriundo”, sublinhou.

Contudo, se as esperanças forem infrutíferas e realmente não conseguir passar a uma segunda volta, Cotrim não adianta quem será o candidato que irá apoiar. Deixa apenas escapar qual é “o único que nunca” apoiará: “André Ventura”.

"Mais imparcial" e discreto do que Marcelo

Questionado sobre o tipo de Presidente que será, em caso de eleição, João Cotrim Figueiredo começa por deixar o aviso: desengane-se quem acha que é mais independente porque nunca passou por partidos. O antigo presidente da Iniciativa Liberal – que deixa a garantia de que não tem qualquer intenção de voltar a liderar o partido – assegura que está livre de quais quer interesses que o procurem pressionar.

Enquanto Chefe de Estado, afirma, não deixaria que “os temas que mais preocupam as pessoas” saíssem das prioridades do Governo. Mas, repara, faria-o “discretamente”, sem declarações públicas, procurando ainda influenciar a agenda política para tratar dos “temas do futuro”. Seria “muito mais” imparcial”, aponta.

Em relação à atual situação na Saúde, por exemplo, Cotrim Figueiredo afirma que, no lugar do Presidente da República, procuraria inteirar-se do que se passa entre ministra da Saúde e as entidades que ela tutela.

“Quando na cadeia de comando, entre Ministério da Saúde, direção-executiva do SNS e hospitais e ULS começa a haver dificuldade de respeito de autoridade, a capacidade política da ministra fica muito minada”, diz.

O que não faria, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, era pedir um “pacto de regime” para a Saúde. “O Presidente não tem nada que o fazer”, defende. "É daquelas coisas em que serei completamente diferente.”

Em relação à lei da nacionalidade, por exemplo, aí garante que a promulgaria tal como está. Embora admite que não lhe “soa bem” a defesa feita pelo Governo de que, com a nova legislação, “Portugal fica mais Portugal”.

Outra decisão em que teria feito diferente do Presidente da República diz respeito à dissolução do Parlamento, após a demissão do ex-primeiro-ministro António Costa. Cotrim Figueiredo afirma que teria nomeado um novo primeiro-ministro, em vez de enviar o país para eleições novamente. “Mas tentava convencer o PS a encontrar outro nome que não Mário Centeno, que me parece que perdeu a credibilidade política com a sua transferência direta do Ministério das Finanças para o Banco de Portugal”, ressalva.

Em todo o caso, o que promete que fará, caso seja eleito Presidente será sempre respeitar a atual Constituição da República - mesmo que preferisse, e prefere, mudá-la.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.