Nasceu em Quelimane, Moçambique, a 21 Novembro 1960. Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo dividiu a infância e adolescência entre Quelimane, São Paulo (Brasil) e Lisboa, onde chegou em setembro 1979, para ingressar na Escola Naval depois de, segundo o próprio, não ter sido admitido na Força Aérea por ser demasiado alto para entrar num 'cockpit'.
Numa entrevista ao "Nascer do Sol", em junho de 2021, revelou que o pai, advogado e "um liberal da área socialista", receava que o regime português se transformasse numa "ditadura comunista", justificando a ida para o Brasil. Além disso, partilhou que foi "um estudante preocupado" que "tinha algum sucesso" com raparigas e só bebeu uma cerveja toda a vida.
Além da paixão pelo mar e, particularmente, por submarinos, assume-se como um fervoroso adepto de matemática, física e computação.
A 27 de dezembro de 2024 passou à reserva, cessando nesse dia as funções militares. Ainda antes da cessação (pré)anunciada, Gouveia e Melo já era apresentado em várias sondagens como o candidato a Belém que, ainda antes do ser, já era o favorito.
“Depois logo se vê. (...) Encaro as sondagens e o que elas significam, agradeço aos portugueses a simpatia, que manifestam muitas vezes até na rua, e a confiança que têm em mim, e para mim, é só esse [o significado]” - no podcast “Expresso da Manhã”
Se o Palácio de Belém vai voltar a ter, 40 anos depois de Ramalho Eanes, um militar aos comandos só a 18 de janeiro se saberá. Apesar de não contar com o apoio de qualquer partido, são vários e de diferentes quadrantes políticos os apoiantes da candidatura de Gouveia e Melo, desde logo o mandatário Rui Rio.
De cadete a almirante
Quatro anos depois de ingressar na Escola Naval, em 1983, foi promovido a Aspirante. Integrou a Esquadrilha de Submarinos e a partir de setembro de 1985 e, até 1992, navegou nos Submarinos Albacora, Barracuda e Delfim, exercendo diversas funções operacionais como oficial de guarnição.
Em alto mar, exerceu o Comando dos Submarinos Delfim e Barracuda e da fragata NRP Vasco da Gama.
Ao longo da carreira frequentou vários cursos, entre as quais uma especialização em Comunicações e Guerra Electrónica em Norfolk (EUA), o curso Geral Naval de Guerra, fez uma pós-graduação em "Information Warfare" na Universidade Independente, fez o curso Complementar Naval de Guerra e ainda o curso de Promoção a Oficial General, no Instituto de Estudos Superiores Militares.
Entre 1998 e 2002 liderou do Serviço de Treino e Avaliação da Esquadrilha de Submarinos e o Estado-Maior da Autoridade Nacional para o Controlo de Operações de Submarinos (SUBOPAUTH), assumindo mais tarde o comando da esquadrilha.
Exerceu também as funções de Chefe do Serviço de Informação e Relações Públicas do Gabinete do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, 2.º comandante da Flotilha de Navios, de diretor de Faróis, de diretor do Instituto de Socorros a Náufragos, de chefe de Gabinete do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e 2.º Comandante Naval.
Após a promoção a contra-almirante, em abril de 2014, assumiu as funções de Chefe de Gabinete do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, cargo que desempenhou até novembro de 2016.
Depois do breve período em que exerceu as funções de 2.º Comandante Naval, em janeiro de 2017, com a promoção a Vice-almirante, viria a assumir as funções de Comandante Naval, cargo que exerceu durante três anos, dois dos quais em acumulação com as funções de Comandante da Força Naval Europeia EUROMARFOR, que integra meios navais de quatro países europeus, Portugal, Espanha, França e Itália.
A 17 de Janeiro de 2020 toma posse como Adjunto para o Planeamento e Coordenação do Estado-Maior General das Forças Armadas, cargo que exerceu até tomar posse como Chefe do Estado-Maior da Armada. Mas é a partir de fevereiro de 2021 que o país passa a conhecer o Gouveia e Melo após ser nomeado coordenador da Task Force para a vacinação contra a Covid-19.
Alguns meses depois, em dezembro do mesmo ano, tomou posse como Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, e foi promovido a Almirante.
Apesar de até então ser quase um desconhecido para a maioria dos portugueses, são várias as condecorações que somou ao longo da carreira. Deste logo, a Ordem Militar de Avis – Grau Comendador, oito Medalhas Militares de Serviços Distintos, três de ouro e cinco de prata, medalha Militar de Mérito Militar, medalha da Defesa Nacional de 1ª Classe, Medalha Militar de Cruz Naval de 3ª Classe, Medalha Militar de Comportamento Exemplar – ouro, Medalha comemorativa da operação "Sharp Guard" âmbito Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e mais recentemente, a Ordem de Mérito Marítimo, por parte da Marinha Francesa e a Medalha da Ordem do Mérito Naval – Grau Grande Oficial, por parte da Marinha do Brasil.
Até que o anúncio chegou: “Aqui estou”
Por mera coincidência ou não, o anúncio da candidatura de Gouveia e Melo foi feito, precisamente, no mesmo dia em que o PSD votou e aprovou o apoio à candidatura de Luís Marques Mendes. Na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, a 14 de maio deste ano, o almirante na reserva fez o tão aguardado discurso de candidato a Belém, assegurando que cumprirá "com lealdade as funções que a Constituição" confia ao Chefe de Estado e afirmando que o "país necessita de um Presidente “diferente”.
Perante uma audiência de 400 apoiantes, e cumprindo escrupolosamente a hora anunciada, o candidato Gouveia e Melo explicou que, nos últimos três anos, sentiu, “de forma crescente”, um apelo para que avançasse. E concluiu: “Por isso, aqui estou”.
Porém, recentemente, foi pela agência Lusa revelado outro motivo para ter decidido avançar. Em causa uma notícia do Expresso que dava conta de que Marcelo Rebelo de Sousa pretendia travar a candidatura de Gouveia e Melo através da recondução como chefe da Armada. Os visados negaram mas será que a dúvida ficou sanada?
“Foi esse artigo que me fez definir o rumo. Porque quando o li, fiquei mesmo danado” - no livro "Gouveia e Melo - As Razões", da jornalista e diretora-adjunta do Diário de Notícias, Valentina Marcelino
Polémicas à parte, Gouveia e Melo apresenta-se na corrida com o lema “Portugal com rumo” mas se, antes da oficialização tudo e todos derrotava, neste momento, em que são, pelo menos, sete os adversários, as sondagens que antes lhe uma vitória seguro à primeira volta, agora não só não traçam esse cenário como até o afastam da possibilidade de disputar uma segunda volta.
Pelo caminho até às eleições presidenciais de 18 de janeiro, o almirante terá ainda um desafio: os debates televisivos. Estes poderão ser um fator de peso para o único candidato sem qualquer experiência política.
