Os ex-dirigentes do PSD Pacheco Pereira e Miguel Relvas declararam apoio ao candidato presidencial Luís Marques Mendes, com o historiador a classificá-lo como o melhor para "defender a democracia" numa segunda volta.
À entrada para a apresentação do livro "Luís Marques Mendes - uma vida política", de Luís Rosa, também o ex-ministro Miguel Relvas disse que o candidato PSD/CDS-PP "é o que reúne melhores condições para desempenhar o cargo".
Pacheco Pereira defendeu que "é vital" que o antigo líder do PSD passe à segunda volta, assumindo que é essa a sua principal preocupação.
"É vital porque Marques Mendes é atacado como um candidato do sistema. É uma das palavras mais ambíguas da política portuguesa. Porque quando se associa ao sistema, aos 50 anos, na realidade o que se está a dizer é que o sistema é a democracia", disse.
Para o antigo líder parlamentar do PSD, "as funções presidenciais, nos próximos anos, vão ser centradas na defesa da democracia".
"Nestas condições, pensando na segunda volta, pensando na passagem da primeira para a segunda volta e passando nessa obrigação de defesa da democracia, o Marques Mendes é o melhor candidato nestas condições", disse.
Questionado se o seu apoio se deve mais à conjuntura atual do a uma convicção nas qualidades do candidato, respondeu ser pelas duas razões, admitindo não concordar com Luís Marques Mendes em tudo, nomeadamente na análise que faz das leis laborais.
"Mas isso, do meu ponto de vista, não é relevante em relação a esta questão da defesa da democracia (...) As decisões políticas fazem-se no contexto da conjuntura atual", afirmou.
Pacheco Pereira alertou que seria negativo um cenário em que Marques Mendes não esteja na segunda volta contra o adversário que considera mais provável - o líder do Chega André Ventura -, dizendo que tal significaria um aumento do populismo e "um momento de ataque à democracia".
"Quando se associa ao sistema 50 anos de corrupção, 50 anos de perversidades, o que se está a fazer é atacar a democracia. A ameaça à democracia é o principal fator da vida política em Portugal", disse.
Já o antigo ministro de Pedro Passos Coelho Miguel Relvas disse conhecer Marques Mendes há muitos anos e elogiou "a atitude de sentido de Estado" com que desempenhou funções no PSD e no Governo.
"Como a campanha tem demonstrado e os debates têm acentuado, é de facto aquele que reúne melhores condições para ser Presidente da República neste quadro e com estes candidatos todos", disse.
Questionado se a sua presença é um sinal de que pelo menos uma parte do chamado 'passismo' está com Marques Mendes, disse falar apenas a título individual.
"Eu não pertenço a grupos, apoiei circunstancialmente em momentos políticos, mas não funciono nessa lógica. Essa lógica é uma das razões que levou a um desprestígio muito grande dos partidos e que tem permitido que hoje forças não tradicionais tenham o peso que têm na vida política", alertou.
Miguel Relvas considerou normal que alguns militantes do PSD possam apoiar um candidato como o ex-secretário-geral do PS António José Seguro, dizendo que "anormal seria se estivessem a apoiar candidatos mais extremistas".
"Não há nada de anormal nisso. Em Portugal agora é que passou a ser anormal que, aqueles que tiveram responsabilidades no passado, aqueles que têm uma história política, assumam e queiram trazer para a vida pública mais uma vez a sua experiência. Eu considero isso normal e saudável", frisou.
A apresentação do livro "Luís Marques Mendes - uma vida política", do jornalista do Observador Luís Rosa, decorreu na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa.
Na plateia, marcaram presença o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, o ministro da Defesa e líder do CDS-PP, Nuno Melo, vários ministros do atual Governo, bem como deputados do PSD e do CDS-PP e alguns antigos dirigentes dos dois partidos.
