Apenas a Ucrânia 'separou' os candidatos presidenciais Catarina Martins e António Filipe, num debate em que a greve geral de quinta-feira ocupou um lugar mais central do que a discussão sobre quem é o candidato da Esquerda.
No debate transmitido pela RTP, poucas foram as divergências entre a ex-líder do Bloco de Esquerda e o candidato apoiado pelo PCP, com ambos a concordarem sobre a importância da greve geral de quinta-feira na luta contra o pacote laboral proposto pelo executivo liderado por Luís Montenegro.
"Espero que o Governo olhe para a greve geral, retire as suas conclusões e retire esta lei", afirmou António Filipe, considerando que "nenhum Governo responsável pode ficar indiferente a uma manifestação desta dimensão".
"Estamos a falar de um ataque a todas as gerações, a todos os trabalhadores, à nossa economia", enumerou a candidata apoiada pelo BE, para quem a greve geral é "um sinal de que o Governo tem de ter outra proposta na mesa para ser negociada".
Já sobre as declarações de Luís Montenegro, que no sábado disse querer que o salário mínimo chegasse aos 1.600 euros, Catarina Martins defendeu que "o primeiro-ministro está a gozar com as pessoas e é feio", uma ideia também preconizada por António Filipe, para quem o facto de as confederações empresariais não protestarem é sinal de que ninguém acredita nestas afirmações.
Num frente a frente em que nenhum dos concorrentes a Belém se afirmou como o verdadeiro representante da esquerda, e em que António Filipe até admitiu que a eurodeputada é uma candidata de esquerda sem 'mas', os dois preferiram não traçar cenários sobre quem poderão apoiar numa eventual segunda volta.
A convergência entre ambos passou também pela interpretação da Constituição, com os dois a criticarem a opção de Marcelo Rebelo de Sousa de dissolver o parlamento, quando o Governo era liderado por António Costa.
"Precisamos mesmo de uma Presidente da República que fale menos dos jogos políticos e fale mais das necessidades do país. [...] Temos tido um Presidente da República que tem sido muito presente, digamos assim, no debate da estratégia partidária", evidenciou Catarina Martins.
A única divergência surgiu quanto à guerra na Ucrânia.
António Filipe considerou que entre "Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky venha o diabo e escolha", mostrando-se contra o reforço do apoio à Ucrânia, defendendo que "a Europa devia ter-se empenhado numa solução de paz".
Já a ex-líder do BE evocou a "tradição da esquerda que acredita na autodeterminação dos povos", admitindo ser "normal que se apoie a Ucrânia numa invasão pela Rússia".
Contudo, disse-se chocada pelo facto de estar a ser elaborado "um acordo de paz em que a Ucrânia nem se senta à mesa de negociação", lamentando que a União Europeia seja "um capacho dos Estados Unidos, que estão aliados à Rússia". "É um erro brutal", concluiu.
Pode ver todos os debates na íntegra aqui e ainda consultar o calendário completo dos debates, que terminam a 22 de dezembro.
Com Lusa