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DEBATE COMPLETO

António Filipe vs. António José Seguro: o debate na íntegra

António José Seguro apelou ao voto útil, afirmando que qualquer escolha à esquerda fora da sua candidatura é 'meio voto na direita'. António Filipe acusou o socialista de se situar no 'consenso neoliberal' e de ter posições coincidentes com Passos Coelho durante o período da troika.

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António Filipe, apoiado pelo PCP, e António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS) defrontaram-se, esta noite, na TVI. Este foi o 26.º debate do ciclo de 28 para a corrida à Presidência da República, que acontece no próximo dia 18 de janeiro.

O candidato presidencial António José Seguro considerou que qualquer escolha à esquerda que não seja na sua candidatura "é meio voto na direita", num debate no qual António Filipe colou o socialista a Passos Coelho.

No confronto televisivo o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, insistiu que Seguro se situa no espetro do "consenso neoliberal", juntamente com Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo e que "fazia falta uma candidatura identificada com os direitos e interesses dos trabalhadores".

"Existem duas voltas para que os eleitores possam votar na primeira volta no candidato no qual se identificam. Eu confio que os eleitores me levarão à segunda volta. Porque se na primeira volta só pensamos na segunda, estamos a abdicar do nosso direito de voto", argumentou o antigo deputado comunista.

António José Seguro, que conta com o apoio do PS, ripostou que "nestas eleições o voto útil é na primeira volta e não na segunda" e manifestou-se convencido de que António Filipe "não dormiria bem" se passarem à segunda volta dois candidatos de direita.

Insistindo na necessidade de "equilibrar" o sistema político português, Seguro apelou ao voto dos eleitores "de esquerda, moderados e até de centro-direita" nas eleições marcadas para 18 de janeiro, mas recusou a intenção de querer ser um "primeiro-ministro sombra".

António Filipe notou no adversário uma "grande dificuldade" em convencer os eleitores do PS e considerou que Seguro tem um discurso político que "não é carne nem peixe", acusando-o de no anteprojeto do Governo que tenciona alterar a lei laboral ter ficado inicialmente "em cima do muro para ver onde caía" e não ter estado nas concentrações de greve no passado dia 11.

Greve Geral também entrou na discussão

Foi aí que o antigo líder do PS acusou António Filipe de "instrumentalizar as greves" e devolveu que o comunista "não tem o monopólio dos direitos dos trabalhadores".

António Filipe respondeu que "nunca viu" Seguro a defender uma "alteração positiva da legislação laboral" e considerou que no período de intervenção da 'troika' o socialista teve "posições muito coincidentes" às do então primeiro-ministro, o social-democrata Pedro Passos Coelho.

"Isso é mito urbano", refutou Seguro, argumentando que foi graças a si que "não houve revisão constitucional para se impor um limite à dívida e ao défice".

Do IRC aos tempos da Troika

António Filipe insistiu que Seguro "esteve com Passos na descida do IRC para as grandes empresas", mas o socialista voltou a negar: "Não me cole onde não sou colável".

Interrogado sobre que balanço faz da solução parlamentar da "geringonça" (acordo que permitiu ao PS governar com o apoio parlamentar de BE, PCP e PEV), Seguro afirmou que houve "coisas positivas e negativas" nesse período, mas reconheceu que "como solução para o país naquele momento, houve consequências que se traduziram em ganhos nos direitos dos trabalhadores e em distribuição de rendimentos".

Foi aí que António Filipe voltou a insistir que não foi possível "contar com Seguro para combater a troika".

"Eu saí em 2014, não fiquei ali num lugarzinho no parlamento, fui à minha vida", ripostou Seguro, com António Filipe a lembrar que o socialista perdeu a liderança do seu partido, na altura para António Costa.
"Durante o período em que foi necessário combater a 'troika' ninguém soube o que pensava Seguro", insistiu.

O apelo ao voto útil no dia 18 de janeiro

O socialista devolveu que para António Filipe "é muito fácil estar do lado do protesto" e reiterou o apelo ao voto útil: "A sua candidatura é simpática, mas um voto em si ou noutro candidato da esquerda à minha esquerda, é meio voto na direita".

Já António Filipe apelou para que os portugueses não coloquem "os ovos todos no mesmo cesto", afirmando que "os votos do António José Seguro estão no mesmo cesto dos de Marques Mendes e de Gouveia Melo".

- Com Lusa

[Artigo atualizado às 23:04]