A candidatura de Henrique Gouveia e Melo rejeita estar por trás de uma “campanha negra” contra Luís Marques Mendes, mas insiste que o candidato a Belém tem de revelar “todas as suas ligações profissionais” para se candidatar ao “mais alto cargo da nação”.
Através de um comunicado, divulgado esta sexta-feira, a direção de campanha do almirante insiste que Marques Mendes continua sem esclarecer “para que interesses trabalhou ou esteve ligado no âmbito da sua atividade na Abreu Advogados” e “o tipo de atividade que exercia”.
“Foi o normal escrutínio dos órgãos de comunicação social e, sobretudo, as omissões convenientes das declarações do próprio que realçaram a opacidade do seu percurso profissional ligado à atividade de consultoria de negócios”, alega a candidatura de Henrique Gouveia e Melo.
Na nota, assinada pela direção de campanha de Gouveia e Melo, é defendido que Marques Mendes “não se deve refugiar em qualquer regra de sigilo de uma qualquer entidade a que esteve ligado para faltar ao dever ético de transparência”, que aponta como exigível a quem se candidata ao “mais alto cargo da nação”.
“Deve revelar todas as suas ligações profissionais, possibilitando, desse modo, o escrutínio sobre eventuais conflitos de interesse que possa levar para Belém.”
Um "manto de opacidade"
Para a candidatura de Gouveia e Melo, vai manter-se um “manto de opacidade”, enquanto Marques Mendes não for “absolutamente transparente sobre todos os interesses que representou e o tipo de atividade que exerceu”.
“Só assim pode justificar as remunerações tão elevadas que apresenta, no âmbito da sua atividade, em profundo contraste com a realidade do país que quer representar no mais alto cargo da nação”, alega a candidatura do antigo Chefe do Estado-Maior da Armada
“O legitimo escrutínio em nome da transparência é um dos alicerces fundamentais de um estado de direito democrático e não se compadece com quaisquer reservas de sigilo para quem se candidata à Presidência da República”, conclui.
Na sequência de um artigo da revista Sábado, que revelou que Luís Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor, o candidato divulgou uma lista dos clientes da sua empresa familiar e desafiou os seus adversários a fazerem o mesmo. Marques Mendes rejeitou, contudo, divulgar os clientes com que trabalhou na sociedade de advogados Abreu Advogados, alegando que tal colocaria em causa o sigilo profissional.
Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes são adversários na corrida à Presidência da República. As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro.