Presidenciais

Cartas ao Presidente

A Margem Sul precisa de ser olhada com a atenção que merece

Permita-me, enquanto Presidente de Câmara Municipal da Moita, mas também como simples cidadão, dirigir-lhe esta missiva com o propósito de partilhar algumas das preocupações e aspirações que marcam a vida de mais de um milhão de cidadãos que residem nesta Margem Sul do rio Tejo e que, diariamente, contribuem para o desenvolvimento da Área Metropolitana de Lisboa e do país.

A Margem Sul precisa de ser olhada com a atenção que merece

Exmo. Senhor Futuro Presidente da República Portuguesa

A Margem Sul é muito mais do que uma zona limítrofe: é um território dinâmico, com uma população ativa, empreendedora e profundamente ligada à economia nacional. Contudo, para que este potencial se concretize plenamente, é essencial que sejam asseguradas condições que promovam qualidade de vida, coesão social e igualdade de oportunidades.

Em primeiro lugar, sublinho a importância do direito à habitação. A pressão imobiliária na Área Metropolitana tem vindo a agravar-se, tornando cada vez mais difícil para as famílias encontrar soluções acessíveis e dignas.

É imperativo que o Estado, em articulação com os municípios, desenvolva políticas eficazes que garantam habitação para todos, evitando fenómenos de exclusão e assegurando que a Margem Sul seja, também, um território de estabilidade e segurança habitacional.

Não posso deixar de destacar uma questão crucial: as acessibilidades. A mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa continua a ser um desafio diário para milhares de cidadãos.

Melhorar a rede de transportes públicos, garantir ligações rápidas e eficientes entre margens e apostar em soluções sustentáveis são medidas fundamentais para que as pessoas possam reduzir o tempo perdido em deslocações e dedicar mais tempo àquilo que verdadeiramente importa: a família, o lazer e a participação ativa na comunidade.

Outra prioridade é a valorização da Margem Sul enquanto território estratégico. Com mais de um milhão de habitantes, esta região não pode continuar a ser vista apenas como dormitório de Lisboa. É necessário investir na criação de polos de desenvolvimento económico, cultural e científico, que reforcem a sua identidade e permitam reduzir a dependência da capital, promovendo um crescimento equilibrado em toda a Área Metropolitana.

No domínio da saúde, é urgente reforçar os cuidados de saúde primários.

A pressão sobre os centros de saúde é evidente, com listas de espera que comprometem o acesso rápido e eficaz aos cuidados básicos. Investir na melhoria das infraestruturas, na contratação de profissionais e na modernização dos serviços é uma necessidade que não pode ser adiada, sob pena de comprometer a saúde e o bem-estar das populações.

Senhor Presidente, estas não são apenas reivindicações locais, são exigências de justiça territorial e social. A Margem Sul tem dado muito ao país e continuará a dar, mas precisa de ser olhada com a atenção e o investimento que merece. Contamos com a sua liderança para que estas prioridades sejam assumidas como parte integrante do projeto nacional.

Carta de Carlos Albino

Presidente da Câmara Municipal da Moita