O candidato presidencial Gouveia e Melo considerou esta sexta-feira que os seus adversários têm "pequenina" dimensão política, sem qualquer comparação com Mário Soares ou Cavaco Silva e sem valor intrínseco, porque dependem dos respetivos partidos.
Estas críticas, que visaram indiretamente Luís Marques Mendes e António José Seguro, foram feitas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de ações de campanha em Viana do Castelo, que começaram bem cedo junto ao Mercado Municipal e terminaram junto ao café Natário no centro da cidade.
Nas declarações que fez aos jornalistas, Gouveia e Melo disse que tem como principal opositor "o sistema" e também acusou os partidos de pretenderem controlar o voto dos portugueses nas eleições presidenciais.
Já no fim, falou da seguinte forma sobre os seus principais adversários na corrida a Belém: "Não queiram comparar os candidatos atuais, que nem conseguiram vencer dentro dos seus partidos, nunca foram primeiros-ministros e não têm uma dimensão como teve o Mário Soares ou Cavaco Silva, ou outros presidentes" da República.
"Não é com a dimensão pequenina com que estão a concorrer - e estão todos preocupados. Se não fossem os partidos, não chegavam lá, porque não têm valor intrínseco. Se tivessem valor intrínseco, não precisavam do partido para nada", declarou.
Gouveia e Melo confiante com a 2.ª volta
Durante os contactos com a população, numa das conversas que teve, Henrique Gouveia e Melo manifestou-se confiante na existência "de uma maioria silenciosa" favorável à sua candidatura no próximo dia 18. E, já perante os jornalistas, usou os cenários militares para manifestar confiança de que irá passar à segunda volta das eleições.
"O cenário mais provável é eu passar à segunda volta e o cenário mais perigoso é eu passar à segunda volta", respondeu, dizendo que os partidos estão "mais preocupados" com a sua candidatura.
"A própria retórica que estão a usar durante a campanha mostra isso. Não concorro contra um indivíduo, concorro com o indivíduo, com os amigos todos do indivíduo, o que seria normal, mas com o partido a apoiar. Nós estamos numa campanha de afirmação quase de legislativas", sustentou.
Na perspetiva do almirante, na campanha das presidenciais, o seu principal adversário "não é uma pessoa em concreto, mas uma ideia partidária destas eleições".
"Parece que os partidos querem controlar o voto dos portugueses. Entendo que partidos devem lutar pelo voto dos portugueses nas legislativas, para depois formarem o poder executivo. Já há dois poderes: o legislativo e o executivo na mão dos partidos. E é assim que está organizada a nossa Constituição e a nossa democracia. Mas os partidos quererem também controlar a Presidência da República, condicionando o voto dos seus apoiantes com recomendações fortes, verticais, da área partidária. E isso parece-me errado", criticou.
- Com Lusa