Presidenciais 2026

"Liberais a apoiar um socialista é aberrante": Ventura critica Mariana Leitão por apoiar Seguro

Durante um jantar-comício com 250 emigrantes portugueses em Zurique, o líder do Chega considerou esta escolha uma contradição aos princípios liberais e apelou à participação massiva dos emigrantes para "mudar o sistema".

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O líder do Chega, André Ventura, mostrou-se surpreendido com a decisão de Mariana Leitão, presidente da Iniciativa Liberal, de votar no socialista António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais.

As declarações foram feitas na quinta-feira, durante um jantar-comício em Volketswil, no cantão de Zurique, na Suíça, que reuniu cerca de 250 emigrantes portugueses.

Ventura considerou a escolha da líder liberal uma contradição face aos princípios do seu partido.

"Não sabia disso. É mesmo verdade? A líder da Iniciativa Liberal? Acho que os eleitores da Iniciativa Liberal têm de tirar daí uma lição. Quer dizer, os eleitores querem menos impostos, querem menos carga fiscal sobre as empresas, querem pôr fim ao socialismo… e votam num socialista. Não sou eu que estou errado, provavelmente a líder da Iniciativa Liberal é que está enganada", afirmou.

O líder do Chega acrescentou que continuará o seu percurso político sem se deixar afetar pela decisão:

"Eu vou deixar os egos de parte e vou continuar o meu caminho na luta contra o socialismo. Acho que é isso que temos de fazer em Portugal. Ver uma liberal a anunciar um voto num socialista é a coisa mais aberrante que alguma vez vi em democracia. Os eleitores saberão avaliar isso."

Mariana Leitão anunciou na quinta-feira, em entrevista à SIC Notícias, que a Iniciativa Liberal não apoiará nenhum dos dois candidatos na segunda volta, mas revelou que votará em António José Seguro, ainda que "sem entusiasmo".

"Estão todos contra nós"

No mesmo jantar-comício, André Ventura criticou PSD e CDS, acusando-os de se aliarem a um “tacho de interesses” ao manifestarem apoio ao candidato do PS.

O líder do Chega apelou a uma participação em massa dos emigrantes para "mudar o sistema", considerando que estão "todos contra um".

"Eles não queriam que vocês votassem e vocês votaram. Não queriam que passássemos à segunda volta, mas passámos. Agora estão todos contra nós. Mas quero dizer isto, e não só para esta sala e para os que estão aqui, mas para todos os emigrantes no mundo inteiro: é a primeira vez na nossa história democrática em que os emigrantes vão ser decisivos", disse.
"Se 80% dos nossos emigrantes fora votarem, nós teremos um Presidente da República Portuguesa que quer cortar com o sistema. Se não votarem, teremos mais do mesmo com António José Seguro, e nós não podemos ter mais 10 anos de mais do mesmo", acrescentou.