“Se a política não servir para resolver os problemas das pessoas, então não serve para rigorosamente nada.”
Confesso que quando ouvi esta frase dita por António José Seguro na noite da sua vitória na primeira volta das eleições presidenciais, acenei internamente em concordância de espírito com o que uma frase tão simples revela não só sobre o pensamento político do próprio como também do que pretende trazer para a Presidência da República, e tive novo comprovativo da certeza que já tinha: se entreguei bem o meu voto a António José Seguro na primeira volta, ainda mais certezas tenho de que o vou voltar a bem entregar nesta segunda volta.
Apesar de, até esse dia 18 de janeiro, não ter nunca apoiado candidaturas do centro-esquerda ou da esquerda em qualquer eleição em Portugal.
Se para os eleitores que ideologicamente se identificam mais com a esquerda ou com o centro-esquerda do espetro político a escolha nesta segunda volta será assumidamente óbvia, a ideia de que para os eleitores da direita e do centro-direita a escolha entre António José Seguro e André Ventura não seja óbvia causa-me mais do que desapontamento, alguma perplexidade.
Porque podemos e devemos discordar da forma como podemos resolver os problemas das pessoas, porque é absolutamente válido discutirmos e discordarmos se é com menos ou mais impostos que nos desenvolvemos, se é com maior ou menor peso do Estado na Economia que crescemos, ou até se é apertando ou não as regras de imigração que caminhamos para o crescimento, mas há algo que deve ser transversal quando pensarmos em quem vamos colocar a nossa cruz no boletim: qual dos dois candidatos usará devidamente o cargo da presidência da república para contribuir para a tal “resolução dos problemas das pessoas”?
Assumindo que “o presidente da república deve ser mais árbitro que jogador” (entendemos sempre tudo melhor com metáforas futebolísticas), como bem disse Cecília Meireles, as funções do futuro presidente passarão não por governar, mas sim por influenciar a agenda governativa, promovendo pactos, soluções e entendimentos entre os partidos para que de facto os interesses do país sejam colocados à frente dos interesses partidários, empenhando-se para que os governos e as assembleias da república tenham estabilidade mas também exigência vinda de Belém para trabalharem então para “se resolverem os problemas das pessoas”.
Não existe comparação possível entre António José Seguro e André Ventura nestes aspetos.
Senão, vejamos: reconhece-se a António José Seguro a capacidade comprovada de colocar os interesses da nação à frente dos interesses partidários mesmo que isso lhe cause prejuízo político (veja-se por exemplo, a digna atitude que teve enquanto líder da oposição durante os anos da troika, abstendo-se no orçamento de estado de 2012, a bem do interesse nacional - mesmo que isso lhe tenha posteriormente custado a hipótese de ser primeiro-ministro).
Não é esse o estilo de André Ventura.
Reconhece-se a António José Seguro a capacidade de promover a união e o consenso democrático: não tivesse a sua campanha jovens e pessoas de vários partidos, do CDS ao Livre, que discordando do modo de como podemos resolver os problemas do país, unem-se em torno da ideia que a figura do presidente da república deve promover e incentivar consensos e estabilidade para podermos ensaiar a resolução desses problemas. Não parte da presidência a governação. Não é essa a visão de André Ventura.
Reconhece-se ainda a António José Seguro a capacidade de influenciar a ação governativa em torno de questões relevantes: a saúde, que tantas vezes tem falado em campanha como uma urgência nacional, será uma área em que imediatamente irá convocar os partidos e instá-los a trabalhar para “resolverem os problemas das pessoas”. André Ventura está sempre mais preocupado em agitar à sua base eleitoral os “culpados da situação” em qualquer área do que em trabalhar para soluções concretas.
Há talvez ainda mais um detalhe que torna esta escolha óbvia: se não existe valor mais de “direita clássica” que a liberdade de opinião, de vontade, de escolha, então também aí a resposta é só uma: António José Seguro assume um percurso de independência e de liberdade. Na sua vida viveu sempre solto e sem amarras. E vai garantir que continuamos a ter uma República livre e para todos os portugueses.
Por isso, estive certo da escolha que fiz dia 18 mesmo nunca tendo apoiado ninguém do Partido Socialista. E por isso, ainda mais certo estou da escolha a fazer dia 8, estando convicto que para qualquer eleitor de centro-direita que valorize a liberdade, a união nacional, a estabilidade e o desenvolvimento, a escolha para presidente da nossa República só pode ser uma: um homem livre - António José Seguro.

