O Presidente da Câmara Municipal de Leiria teceu este sábado duras críticas ao poder político, alegando ter visto nos últimos dias “um carrossel de pessoas" que agem "como se Leiria fosse um jardim zoológico”.
Em entrevista à SIC Notícias, Rui Rio, ex-presidente do PSD, esclareceu que as declarações do autarca leiriense eram direcionadas a André Ventura, que visitou as zonas afetadas pela tempestade Kristin "com uma carrinha e umas garrafinhas".
O Presidente da Câmara Municipal do Porto destacou que a resposta do Governo não tem sido a mais eficaz, embora considere que, nas atuais circunstâncias, seja a melhor possível.
"Não entendo porquê que não há um envolvimento maior das Forças Armadas, particularmente do Exército. É uma situação muito complicada. Deve organizar-se para que a resposta às calamidades possa ser rápida e coordenada", apontou, acrescentando que a intervenção podia ter sido melhor e que o Ministério da Administração Interna tem de "tomar as rédeas da situação".
Questionado sobre o papel que o Presidente da República deve assumir em situações de calamidade, Rui Rio afirmou que o chefe de Estado "deve procurar estar informado e visitar o local, mas de forma a não perturbar o desenrolar das ações e a incentivar o Governo da melhor maneira possível".
Rio, que foi mandatário nacional da candidatura de Henrique Gouveia e Melo na primeira volta das presidenciais, criticou o estilo populista de André Ventura, considerando que o seu discurso simplista e provocador não é compatível com a seriedade exigida a um Presidente da República.
"Na primeira volta votamos em quem queremos, na segunda volta olhamos para os dois e dos dois temos de escolher um, sendo que nenhum dos dois foi a nossa primeira escolha. Não quero ver em Portugal um Presidente da República que é, do ponto de vista político, um populista. Alguém que tem uma conversa que não faz sentido nenhum, uma conversa para se ter num tasco a beber uma cerveja. Não é um discurso de quem se propõe ser Presidente da República", rematou.