“Deviam ser quase 23h da noite quando a mulher do meu tio foi para a cama. Avisei-a para não trancar a porta de casa, pressenti que algo estava para vir. Estava sentada na cama quando ouvi o estrondo inicial. Corri para agarrar os meus dois filhos pequenos e, de repente, começaram a chover pedras dentro de casa. Mal pusemos um pé fora da porta, o quarto desabou nas nossas costas. Não consegui fazer nada”, recorda Kochai, 40 anos, mãe de cinco filhos, sobrevivente do sismo de magnitude 6.0 que atingiu o Leste do Afeganistão no final de agosto de 2025.
“Muitas pessoas morreram e, agora, o meu coração está um pouco mais escuro. Tenho medo de regressar”, confessa, referindo-se à sua aldeia-natal na área remota de Nurgal, na província de Kunar, próxima do epicentro do terramoto.
Nos dias que se seguiram ao desastre, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) encaminhou provisões médicas para os três principais hospitais da região que tratavam feridos. Além disso, logo no início de setembro, foi aberta uma clínica de cuidados essenciais a funcionar 24h por dia, bem como um posto de saúde no Campo de Patan, na província de Kunar.
As equipas móveis da organização têm também visitado pessoas deslocadas no campo de Ari Gamba, perto da aldeia de Shomash, para prestar cuidados urgentes de trauma e, posteriormente, consultas médicas, vacinações, cuidados pré e pós-natais, sessões de promoção de saúde e consultas individuais de saúde mental.
Com tudo isto, entre meados de setembro e o final de outubro, as equipas da MSF forneceram cuidados a mais de 7.500 pessoas, em particular para a diarreia, infeções respiratórias e doenças de pele, como a sarna – um reflexo das difíceis condições de vida nos campos após o sismo. Homens, mulheres e crianças também chegam às instalações da MSF vindos de outros campos e aldeias próximas.


