Desde 2023, uma equipa da Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem trabalhado para introduzir a bactéria Wolbachia nos mosquitos Aedes aegypti, com o objetivo de reduzir a transmissão da dengue, uma doença que afeta milhões de pessoas anualmente. Em 2024, os testes mostraram que 80% dos mosquitos já tinham Wolbachia; hoje, essa taxa chega a 97,8%.
Testes realizados logo em 2024, cerca de um ano após o arranque do projeto, revelaram que oito em cada dez mosquitos capturados em El Manchén transportavam Wolbachia, uma bactéria inofensiva presente em mais de 50 por cento dos insetos. Um ano antes, praticamente nenhum dos mosquitos locais era portador desta bactéria natural. E El Manchén apresentava, nessa altura, uma das mais elevadas taxas de dengue da cidade. Atualmente, a prevalência de Wolbachia na população de mosquitos Aedes aegypti em El Manchén é de 97,8 por cento.
Isto é importante porque a Wolbachia reduz drasticamente a probabilidade de os mosquitos transmitirem doenças como a dengue, que é potencialmente fatal e afeta entre 100 milhões e 400 milhões de pessoas em todo o mundo, todos os anos.
A equipa da MSF envolvida no Projeto de Prevenção de Arbovírus em Tegucigalpa libertara, desde meados de 2023, mais de oito milhões de mosquitos deliberadamente infetados com a bactéria Wolbachia no subúrbio de El Manchén – o propósito era que estes mosquitos prosperassem, se reproduzissem e transmitissem a Wolbachia através de gerações, reduzindo drasticamente a incidência de dengue na região.
Esta iniciativa inovadora combinou a ciência e a participação das comunidades para reduzir a transmissão da doença. Quase três anos passados, o projeto com mosquitos foi concluído com resultados promissores e os investigadores zumbem de entusiasmo.

