UEFA Euro 2020: Portugal

O percurso de Portugal rumo ao Euro 2020

CARLOS COSTA

O hábito de empatar - que se revelou proveitoso na caminhada gloriosa de 2016 - parecia querer comprometer as ambições do campeão europeu na defesa do título. No entanto, cinco vitórias (apenas interrompidas por um desaire em solo ucraniano) foram suficientes para a Seleção Nacional carimbar o apuramento rumo ao Europeu. Recorde aqui essa caminhada.

Depois de uma prestação no Mundial de 2018, na Rússia, relativamente aquém das expectativas - eliminação nos oitavos de final perante o Uruguai -, Portugal mudou o chip e apontou baterias à fase de qualificação para o Campeonato de Europa de 2020.

A Seleção Nacional, integrada no grupo B da zona europeia de qualificação, era apontada como a principal favorita a garantir o 1.º lugar, num grupo que incluía também as seleções da Ucrânia, Sérvia, Luxemburgo e Lituânia. Isto porque, além do histórico favorável nos confrontos diretos com cada um destes países, Portugal entrava pela primeira vez na fase de apuramento para um Europeu com o estatuto de campeão em título.

Os dois primeiros encontros - ambos em casa - realizaram-se no Estádio da Luz, a 22 e 25 de março de 2019. A estreia aconteceu diante da Ucrânia.

Rafael Marchante

Apesar de ter estado quase sempre por cima do jogo, dois fatores, aliados, impediram um arranque vitorioso de Portugal: a ineficácia no ataque e o guarda-redes Andriy Pyatov. O encontro acabou como começou: sem golos.

Rafael Marchante

Três dias depois, foi a vez da Sérvia visitar a Luz. Portugal voltou a ser anfitrião e não se fez rogado em generosidade para com o visitante, com os sérvios a marcarem logo aos 7 minutos por Tadic, na cobrança de um penálti, assinalado após falta de Rui Patrício sobre Gacinovic.

O empate luso chegou ainda antes do intervalo, na forma de um portentoso remate de Danilo, de fora da área, sem hipótese de defesa para Marko Dmitrović.

Rafael Marchante

A segunda parte, de domínio português, ficou manchada por um erro da equipa de arbitragem, quando, ao minuto 72, Rukavina cortou uma bola com a mão após cabeceamento de André Silva. O árbitro Szymon Marciniak ainda apontou para a marca do pontapé de penálti, mas acabou por reverter a decisão, por indicação de um dos auxiliares, num jogo sem VAR. Estava assim consumado o arranque em falso do campeão europeu.

Rafael Marchante

A resposta tinha de ser dada seis meses mais tarde, frente ao mesmo adversário, mas fora de casa. E foi.

XXSTRINGERXX xxxxx

A exibição esteve longe de ser a mais deslumbrante. Valeu o resultado - um 2-4 construído com golos de William, Gonçalo Guedes, Ronaldo e Bernardo Silva (Milenkovic e Mitrovic fizeram os golos sérvios) -, um triunfo sólido que permitiu a Portugal manter-se firme na luta por um lugar no topo do grupo.

Seguiram-se dois duelos com um grau substancialmente menor de dificuldade. E os números demonstraram isso mesmo.

A 10 de setembro, uma goleada por 5-1 na Lituânia, com 4 (!) golos do capitão e um de William Carvalho; e a 11 de outubro, em Alvalade, uma vitória por robustos 3-0 frente ao Luxemburgo, com Bernardo, Ronaldo e Guedes a fazerem o gosto ao pé.

A Seleção Nacional "despachava" assim os dois adversários de menor valia do grupo e entrava na fase de todas as decisões com a possibilidade de subir à liderança - pertença da Ucrânia - nas vésperas de uma deslocação a Kiev que se antecipava complexa.

Rafael Marchante

As dificuldades expectáveis foram inimigas de Portugal e uma nova entrada em falso, com dois erros defensivos a resultarem em dois golos da Ucrânia, pôs fim à ambição lusa de chegar ao 1.º lugar do grupo B, que já não fugiria aos ucranianos. Derrota por 2-1 que tirou brilho ao 700.º golo da carreira de CR7.

Valentyn Ogirenko

Contudo, nada estava perdido e a Seleção Nacional teria apenas de (voltar a) vencer os dois oponentes com menos pergaminhos para carimbar o passaporte rumo ao Euro 2020.

Pedro Nunes

O outono algarvio foi o pano de fundo ideal para uma goleada das antigas à Lituânia: 6-0. Um hat-trick de Ronaldo e golos de Pizzi, Gonçalo Paciência e Bernardo Silva contaram a história de um jogo de sentido único.

O apuramento do campeão europeu foi consumado três dias depois, a 17 de novembro, em solo luxemburguês, graças a um triunfo por 2-0, patrocinado por Bruno Fernandes e pelo inevitável Cristiano Ronaldo.

Em oito jogos, Portugal somou cinco vitórias, dois empates e uma derrota, com 22 golos marcados e cinco sofridos.

Johanna Geron

A Seleção Nacional estará, entre Europeus e Mundiais, pela 11.ª vez na fase final de um grande torneio internacional, a primeira a que chega com o estatuto de campeão em título.

Reuters Staff

Especial Euro 2020

  • Colin Powell: o último republicano moderado

    Mundo

    Serviu os últimos três Presidentes republicanos pré-Trump (Reagan, Bush pai, Bush filho) e ajudou a moldar a política externa da direita clássica na viragem do século. A partir de Obama, apoiou sempre os democratas, numa sólida barragem ao populismo demagógico, que sempre recusou. Era patriota, bravo, mas sempre racional. Vai fazer muita falta.

    Opinião

    Germano Almeida