Football Leaks

Rui Pinto acusado de tentativa de extorsão fica na prisão

Acusado de pedir um milhão de dólares ao fundo Doyen para não revelar documentos que terá roubado informaticamente.

Rui Pinto foi acusado pelo Ministério Público (MP) de dois crimes no chamado processo Doyen. O alegado pirata informático terá que responder por um crime de extorsão na forma tentada e outro de acesso ilegítimo.

Na prática, o MP acusa Rui Pinto de ter pedido um milhão de dólares ao fundo de investimento com sede em Malta para não revelar documentos que terá roubado informaticamente.

Em prisão preventiva há seis meses, Rui Pinto teria que ser libertado no final do mês, caso o Ministério Público não deduzisse acusação.

Para além deste inquérito, o alegado hacker está ainda a ser investigado noutros processos paralelos.

Advogado ia pedir a libertação

Na terça-feira, o advogado de Rui Pinto tinha informado que iria pedir a libertação do denunciante português caso não houvesse acusação nos dias seguintes.

Em entrevista ao Der Spiegel, William Bourdon tinha explicado que não é comum ter alguém detido por tanto tempo sem uma acusação formal.

As suspeitas

Rui Pinto divulgou documentos confidenciais, como contratos de futebolistas dos leões e do então treinador Jorge Jesus, além de outros contratos celebrados entre a Doyen e vários clubes de futebol.

Os outros casos

Rui Pinto é suspeito ainda de ser o autor do furto dos emails do clube da Luz, em 2017.

Entre estes factos, estão acessos ao correio eletrónico de "largas dezenas de ofendidos", nomeadamente, magistrados do MP, elementos da Administração Interna, PSP, escritórios de advogados, FIFA, FC Porto, Nacional e da confederação sul-americana de futebol (CONMEBOL).

Rui Pinto também terá pirateado PGR e Administração Interna

O Ministério Público e a Polícia Judiciária encontraram indícios de que o pirata informático terá conseguido aceder às caixas de correio eletrónico de vários procuradores, incluindo Joana Marques Vidal, Maria José Morgado ou Amadeu Guerra, na altura diretor do DCIAP.

As suspeitas resultaram da análise de discos externos e computadores apreendidos na Hungria, na altura da detenção de Rui Pinto. O hacker terá tentado obter informações sobre o inquérito de que é alvo.

Juiz Carlos Alexandre terá sido vítima

O pirata informático acedido pelo menos 100 vezes ao e-mail profissional do juiz.

Terá entrado no computador de Carlos Alexandre e assim tido acesso aos segredos do processo Operação Marquês e do processo BES.

Com Lusa