Depois de um verão marcado por várias corridas em solo europeu, a Fórmula 1 inicia o outono no outro lado do mundo, com o aguardado regresso das emocionantes corridas noturnas. Com o campeonato a entrar numa fase decisiva, equipas e pilotos preparam-se para a 18.ª prova do calendário, entre 3 e 5 de outubro, no icónico e deslumbrante Circuito de Marina Bay, em Singapura.
O Grande Prémio de Singapura é um dos mais exigentes do calendário. Para além de exigir um maior desempenho por parte dos carros quanto à aderência e estabilidade, as altas temperaturas e níveis de humidade durante o período da noite são o fator que mais dificulta a performance dos pilotos, tanto a nível físico, como psicológico.
O traçado urbano do Circuito de Marina Bay tem cerca de 4,927 quilómetros de extensão, com um total de 62 voltas e três zonas de DRS (Drag Reduction System). Após as modificações realizadas em 2023, o circuito passou a contar com 19 curvas, em vez das tradicionais 23.
Em que horários se realiza o GP de Singapura?
Sexta-feira, 3 de outubro
- Treinos Livres 1 (FP1): 10:30-11:30
- Treinos Livres 2 (FP2): 14:00-15:00
Sábado, 4 de outubro
- Treinos Livres 3 (FP3): 10:30-11:30
- Qualificação: 14:00-15:00
Domingo, 5 de outubro
- Corrida: 13:00
(Horário de Portugal Continental)
O "inferno húmido"
Conhecido como o "inferno húmido" da Fórmula 1, o Grande Prémio de Singapura distingue-se por ter sido a primeira corrida noturna da história da categoria, realizada sob 1.600 potentes refletores que transformam a cidade-estado num autêntico palco de espetáculo.
O circuito urbano de Marina Bay é não só um dos mais exigentes fisicamente para os pilotos, com temperaturas que facilmente ultrapassam os 30 graus e níveis de humidade sufocante, como também um dos mais longos, frequentemente a roçar o limite das duas horas de prova.
Crashgate
Em 2008, o traçado foi palco de uma das maiores polémicas da modalidade, o célebre "Crashgate", que envolveu a equipa Renault.
O acidente deliberado de Nelson Piquet Jr., que bateu de propósito contra as barreiras para favorecer a vitória do colega de equipa, Fernando Alonso. A polémica rebentou meses depois e abalou profundamente a credibilidade da Fórmula 1, levando a sanções severas contra a Renault e deixando uma mancha indelével na história da prova.
E se a pista exige precisão cirúrgica, também já cobrou bastante caro a alguns campeões mundiais: em 2017, os três carros da frente - Sebastian Vettel (Ferrari), Max Verstappen (Red Bull) e Kimi Räikkönen (Ferrari) - colidiram logo no início, num dos arranques mais caóticos que a Fórmula 1 já presenciou sob luz artificial.
Uma "pedra no sapato" de Verstappen
Curiosamente, apesar de Singapura já ter coroado alguns dos maiores campeões da era moderna, o tetracampeão mundial Max Verstappen nunca conseguiu vencer neste circuito labiríntico.
Entre azares, estratégias falhadas e um traçado que não perdoa erros, o piloto neerlandês viu em Marina Bay uma das poucas muralhas que ainda resistem ao seu domínio quase absoluto.
O dia em que Sainz travou o domínio da Red Bull (e salvou o campeonato)
O Campeonato de Fórmula 1 de 2023 ficou para a história pelo domínio (quase) absoluto da Red Bull e dos seus dois pilotos, Max Verstappen e Sergio Pérez.
À 16.ª prova de um total de 22 no calendário, a equipa austríaca somava vitórias em todas as corridas disputadas até então.
No entanto, tudo mudou com a chegada do Grande Prémio de Singapura, onde Carlos Sainz, ao volante do monolugar da Ferrari, quebrou a hegemonia da Red Bull e pôs fim à impressionante sequência de 10 vitórias consecutivas do tetracampeão neerlandês.
Nesse ano, o espanhol foi o único piloto, além de Max Verstappen e Sergio Pérez, a vencer uma corrida.
Uma marca no asfalto
No 22 de setembro de 2024, durante o Grande Prémio de Singapura, Daniel Ricciardo disputou a sua última corrida na Fórmula 1 mas deixou marca na saída.
Num fim de semana marcado por dificuldades, o piloto australiano largou da 16.ª posição e terminou em 18.º, conseguindo um feito que ficou na memória: marcou a volta mais rápida da prova, o primeiro feito desde 2021, roubando assim o ponto a Lando Norris e deixando claro que, mesmo no fim, ainda tinha uma pequena ligação à Red Bull.
1:43.486: é o recorde no circuito de Singapura. Daniel Ricciardo abandonou a Fórmula 1 mas deixou a sua marca no asfalto de Marina Bay.
Quem lidera os Campeonatos de Pilotos e Construtores?
O Grande Prémio do Azerbaijão foi um verdadeiro balde de água fria para a McLaren, que parecia estar a surfar uma onda de sorte desde o início do ano. Oscar Piastri ficou fora da tabela de pontuação, depois de embater num dos muros do circuito de Baku e o colega de equipa Lando Norris aproveitou para reduzir a diferença e está agora a apenas 25 pontos de alcançar o primeiro título mundial da sua carreira.
No entanto, quem mais beneficiou com o deslize da McLaren foi Max Verstappen. Ao vencer a corrida no Azerbaijão, o tetracampeão conseguiu encurtar a diferença para 69 pontos em relação a Oscar Piastri e para 44 pontos em relação a Lando Norris, mantendo viva a luta por um possível quinto título mundial consecutivo, que acrescentaria mais um marco importante ao seu já impressionante currículo.
A McLaren desperdiçou também a oportunidade de conquistar o Campeonato do Mundo de Construtores e de estabelecer um novo recorde em Baku, ao sagrar-se campeã com o maior número de corridas ainda por disputar - 7 no total. Atualmente, esse feito pertence à Red Bull, que em 2023, durante o GP do Japão, garantiu o campeonato com seis Grandes Prémios por realizar.
A equipa liderada por Zak Brown precisa apenas de 13 pontos para conquistar o tão desejado título em Singapura e repetir o feito alcançado no ano anterior.

