A Fórmula 1 viaja este fim de semana até ao Brasil para uma das corridas mais aguardadas da temporada, a penúltima no continente americano e a derradeira antes da tripla jornada que decidirá o título mundial de pilotos. Entre 7 e 9 de novembro, todos os caminhos vão dar ao icónico traçado de Interlagos, palco do Grande Prémio de São Paulo, a 21.ª de um total de 24 provas previstas no calendário de 2025.
Com uma extensão de 4,309 quilómetros, o Autódromo José Carlos Pace é um dos circuitos mais emblemáticos e técnicos do calendário da Fórmula 1.
O traçado, percorrido em sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, é composto por 15 curvas e duas zonas de DRS, num total de 71 voltas que somam cerca de 305 quilómetros de corrida.
Embora não seja dos circuitos mais longos, a combinação entre curvas rápidas, setores sinuosos e subidas íngremes faz dele um dos percursos mais desafiantes para pilotos e equipas.
A primeira curva, o famoso "S do Senna", é um dos pontos mais emblemáticos e determinantes da prova, palco de ultrapassagens, arranques intensos e, muitas vezes, incidentes decisivos.
A edição deste ano tem um foco adicional de interesse para o público local, uma vez que, quase oito ano depois, um piloto brasileiro voltará a correr em Interlagos para o Mundial de Fórmula 1: Gabriel Bortoleto, ao volante de um Sauber.
Em que horários se realiza o GP de São Paulo?
Sexta-feira, 7 de novembro:
- Treinos Livres (FP1): 14:30 - 15:30
- Qualificação Sprint: 18:30 - 19:14
Sábado, 8 de novembro:
- Corrida Sprint: 14:00 - 14:30
- Qualificação: 18:00 - 19:00
Domingo, 9 de novembro:
- Corrida: 17:00
(Horário de Portugal Continental)
Interlagos, o caos encantador
Poucos circuitos têm tantas histórias por metro quadrado como Interlagos. O autódromo nasceu nos anos 40, num terreno "inútil" entre dois lagos, Guarapiranga e Billings, e acabou por se tornar o coração da velocidade brasileira.
Uma zona esquecida de São Paulo transformou-se num dos palcos mais vibrantes do automobilismo mundial. Desde 1985, o circuito leva o nome de José Carlos Pace, piloto brasileiro que venceu em 'casa' em 1975 e morreu tragicamente dois anos depois, num acidente aéreo.
A vitória que o Brasil não esquece
Em 1991, Ayrton Senna finalmente venceu o seu grande prémio de casa, algo que lhe escapava há anos. Mas a forma como o fez é o que ficou gravada na história: a seis voltas do fim, o seu McLaren perdeu quase todas as mudanças, deixando-lhe apenas a sexta.
Mesmo assim, manteve o carro em pista, lutando com o volante enquanto o corpo tremia de exaustão. Quando cruzou a meta, o rádio estava cheio de gritos de alegria e dor. Precisou de ajuda para sair do carro, mas levantou o troféu com esforço, um momento que fez o Brasil inteiro chorar de orgulho.
A corrida que acabou em silêncio
Três anos depois, a atmosfera era bem diferente. O Grande Prémio do Brasil de 1994 marcou a estreia de Senna pela Williams, com a esperança de um novo título.
A pole position foi dele, claro, mas a corrida acabou da pior maneira para os fãs: um despiste na volta 55 tirou-o da prova. Seria a sua última corrida em casa antes do fatídico fim de semana de Ímola, semanas depois.
Até hoje, quando a Fórmula 1 regressa a Interlagos, há quem leve flores e bandeiras para o "S do Senna", em memória do ídolo eterno.
A curva que carrega o seu nome
Logo na partida, os carros mergulham no "S do Senna", uma sequência rápida de curvas inspirada no estilo agressivo e preciso do tricampeão.
Foi batizada em sua homenagem em 1990 e tornou-se um símbolo do circuito e da própria paixão brasileira pela Fórmula 1.
A corrida do caos
Chuva, acidentes e confusão total. Em 2003, Interlagos foi cenário de uma corrida caótica, interrompida várias vezes e concluída sob bandeira vermelha.
Giancarlo Fisichella pensava ter ficado em segundo, até que, dias depois, a FIA reviu os resultados e confirmou que ele era, afinal, o vencedor. O troféu foi-lhe entregue na corrida seguinte, em Ímola.
O título que escapou por... 39 segundos
O ano era 2008. Felipe Massa cruzou a meta em primeiro e o Brasil 'explodiu' de alegria: mais um brasileiro campeão do mundo. Só que, segundos depois, Lewis Hamilton ultrapassou Timo Glock na última curva e roubou-lhe o título.
As câmaras captaram o momento em que a festa nas boxes da Ferrari se transformou em silêncio absoluto.
É talvez o final mais dramático da história da Fórmula 1 (se excluirmos Abu Dhabi, em 2021). Recentemente, a dicussão em torno do título mundial de 2008 voltou à agenda mediática, uma vez que Felipe Massa começou esta semana a travar uma batalha judicial contra a FIA, o Formula One Group e Bernie Ecclestone.
O piloto brasileiro luta pelo título, do qual acredita ter sido roubado no Grande Prémio de Singapura dessa temporada, depois de um acidente deliberado entre os pilotos da Renault, Nelson Piquet Jr. e Fernando Alonso, num escândalo conhecido como "Crashgate", lhe ter custado a vitória na corrida e pontos decisivos na decisão do título.
Onde o clima faz as suas próprias regras
Em São Paulo, o tempo é imprevisível: já houve corridas com sol escaldante, chuva torrencial e até trovoadas, tudo no mesmo dia.
Para os estrategas das equipas, Interlagos é um pesadelo meteorológico. Para os fãs, é a receita perfeita para uma corrida inesquecível.
Quem venceu no ano passado?
Na edição de 2024 do Grande Prémio de São Paulo, a vitória sorriu a Max Verstappen, da Red Bull, que partiu de 17.ª posição e liderou com autoridade até à bandeira de xadrez, numa corrida marcada pela chuva, bandeiras vermelhas e estratégias alteradas.
Os restantes lugares no pódio ficaram entregues aos dois pilotos da Alpine. Esteban Ocon ficou em segundo lugar, à frente do seu colega Pierre Gasly.
Quem lidera os Campeonatos de Pilotos e Construtores?
Com 20 de 24 provas disputadas na temporada de 2025, a luta pelo título mundial de pilotos está ao rubro. Lando Norris, da McLaren, conquistou o Grande Prémio da Cidade do México e subiu ao topo por apenas um ponto.
Oscar Piastri perdeu a liderança do campeonato de pilotos para o colega e começou a ver Max Verstappen pelo retrovisor.
No Campeonato de Construtores, o título já foi atribuído há várias semanas, mas a luta pelo segundo lugar está ao rubro: Ferrari (356), Mercedes (355) e Red Bull (346) estão separadas por apenas 10 pontos a quatro rondas do fim.

