O momento de todas as decisões chegou. Quatro anos depois, o título mundial de pilotos de Fórmula 1 volta a decidir-se na última corrida da temporada. O traçado de Yas Marina vai ser o palco de consagração do campeão do mundo de 2025, no Grande Prémio de Abu Dhabi, a 24.ª prova do campeonato.
Na luta pelo título estão ainda três pilotos: o britânico Lando Norris e o australiano Oscar Piastri, da McLaren; e o tetracampeão Max Verstappen, da Red Bull. Do que precisa cada um deles para conquistar o Mundial? Já vamos às contas, antes fazemos uma viagem por um dos traçados mais modernos da Fórmula 1.
Inaugurado em 2009, o Circuito de Yas Marina estende-se ao longo de 5,281 quilómetros, com 16 curvas. O traçado inclui duas zonas de DRS (Drag Reduction System) e prevê um total de 58 voltas.
O circuito é conhecido por ter uma das retas mais longas da Fórmula 1, com cerca de 1,2 quilómetros - entre as curvas 5 e 6, de baixa velocidade - considerada pelos pilotos e equipas como a principal zona de ultrapassagem da pista.
Em que horários se realiza o GP de Abu Dhabi?
Sexta-feira, 5 de dezembro:
- Treinos Livres (FP1): 09:30 - 10:30
- Treinos Livres (FP2): 13:00 14:00
Sábado, 6 de dezembro:
- Treinos Livres (FP3): 10:30 - 11:30
- Qualificação: 14:00 - 15:00
Domingo, 7 de dezembro:
- Corrida: 13:00
(Horário de Portugal continental)
"The final showdown"
Entre o brilho dourado do deserto e a sofisticação futurista da Ilha de Yas, o Grande Prémio de Abu Dhabi tornou-se, ao longo dos anos, muito mais do que a última corrida do calendário da Fórmula 1. É um palco onde a técnica encontra o espetáculo, onde a engenharia se mistura com o luxo e onde algumas das histórias mais peculiares do desporto ganham forma sob luzes artificiais.
Em 2021, essa transição dramática entre luz e sombra foi o cenário perfeito para um dos finais mais comentados da história da modalidade.
Tudo empatado até à última volta
No arranque do fim de semana decisivo, os dois candidatos ao título, Max Verstappen e Lewis Hamilton, seguiam empatados em pontos. Era a primeira vez desde 1974 que algo assim acontecia antes da última corrida da temporada.
Essa igualdade tornou o Grande Prémio de 2021 numa espécie de "último round de boxe": o vencedor levava tudo.
Safety Car, tática e polémica: o final que mudou tudo
Quando a corrida parecia inclinada a favor de Hamilton, um acidente de Nicholas Latifi (Williams) gerou um safety car e juntou o pelotão, numa altura em que o britânico tinha pneus mais usados.
A equipa de Verstappen aproveitou: o neerlandês entrou para as boxes, calçou pneus novos, enquanto Hamilton permaneceu fora. O que se seguiu foi tão controverso como dramático: o reinicio da corrida permitiu que carros "atrasados", entre os quais Verstappen, ultrapassassem.
Na última volta, a 58.ª de 58, o piloto neerlandês ultrapassou Lewis Hamilton e sagrou-se campeão mundial pela primeira vez. Uma viagem tão abrupta como disputada.
A saída do pit-lane mais icónica da Fórmula 1
O pit-lane do circuito de Yas Marina destaca-se como um exemplo único de engenharia e arquitetura aplicada ao automobilismo.
Ao contrário da maioria dos traçados do calendário, onde o pit-lane segue uma linha reta até à reintegração na pista, em Yas Marina a saída dos boxes atravessa um túnel que passa por baixo da própria pista.
Esta modificação foi concebida para minimizar o risco de acidentes, evitando que os monolugares que deixam o pit-lane se encontrem imediatamente com os restantes a alta velocidade na pista.
O deserto engana
A corrida de domingo começa ao pôr do sol e termina já sob luz artificial, o que condiciona a visibilidade dos pilotos. Ao longo da prova, a descida progressiva da temperatura do asfalto altera o desempenho dos pneus e obriga a uma adaptação constante por parte dos pilotos e das equipas.
Mesmo sendo disputado à noite, o asfalto de Abu Dhabi tem uma característica rara: o calor acumulado durante o dia demora horas a dissipar-se, criando diferenças acentuadas entre as condições dos treinos e da corrida. As equipas são obrigadas a antecipar esta “curva térmica” com uma precisão quase meteorológica.
O circuito que não pode ser varrido
Antes da corrida, a organização evita usar maquinaria pesada para limpar o traçado por duas razões: o vento traz areia constantemente e as máquinas de limpeza podem polir o asfalto e piorar a aderência.
Resultado: é "normal" o traçado de Yas Marina estar escorregadio nas primeiras sessões, com a pista a melhorar apenas quando os carros começam a "engomar" a linha ideal com borracha.
Um traçado projetado para ser silencioso
Apesar do barulho dos motores, o design dos edifícios e barreiras foi pensado para reduzir reflexões sonoras e evitar que o som se espalhe pela ilha. É um circuito de Fórmula 1 onde, paradoxalmente, o objetivo foi abafar o barulho.
A montanha-russa mais rápida do mundo… ao lado da curva 7
A poucos metros do circuito está a famosa “Formula Rossa”, a montanha-russa do Ferrari World, que atinge 240 km/h em 4,9 segundos.
É mais rápida do que muitos arranques da própria Fórmula 1 e quem nela anda tem de usar óculos de proteção devido ao impacto da areia do deserto.
A corrida que quase sempre decide despedidas
Abu Dhabi tornou-se, por coincidência ou conveniência, o palco das últimas corridas de pilotos experientes (Jenson Button, Kimi Räikkönen, Sebastian Vettel) e também de despedidas antes de mudar de equipa, como foram os casos de Lewis Hamilton (da Mercedes para a FerrarI) e Carlos Sainz (da Ferrari para a Williams) na última temporada.
Rosberg vs. Hamilton e um adeus inesperado
Muito antes do "caos final" entre Verstappen e Hamilton, Abu Dhabi já tinha sido palco de ordens de equipa polémicas, estratégias que pareciam teatro ou disputas internas, como Rosberg vs. Hamilton em 2016.
A épica disputa entre os dois pilotos da Mercedes ganhou ainda mais relevância nesse ano, uma vez que Nico Rosberg anunciou, de forma inesperada, o adeus à Fórmula 1 poucos dias depois de superar o colega de equipa e de se sagrar, em Abu Dhabi, campeão do mundo pela primeira vez.
O icónico season finale de 2010: uma luta... a quatro
Na entrada para a derradeira ronda da temporada de 2010 havia ainda um quarteto de pilotos a sonhar com a conquista do título: Fernando Alonso (Ferrari, líder do Mundial com 246 pontos), Mark Webber (Red Bull, 238 pontos), Sebastian Vettel (Red Bull, 231 pontos) e Lewis Hamilton (McLaren, 222 pontos).
Numa corrida intensa, marcada por um erro estratégico da Ferrari - com consequências dramáticas para Alonso -, Vettel capitalizou, venceu a prova e conquistou o primeiro de quatro títulos mundiais consecutivos.
Quem venceu no ano passado?
Se Lando Norris repetir o feito de 2024, conquistará o primeiro título da carreira. A corrida foi vencida pelo piloto britânico da McLaren com uma vantagem de quase seis segundos para o segundo classificado, um triunfo decisivo para a equipa de Woking assegurar o título de Construtores, que escapava desde 1998.
Os restantes lugares do pódio foram ocupados pela dupla da Ferrari: o espanhol Carlos Sainz (2.º) e o monegasco Charles Leclerc (3.º).
As contas do título
Como prometido, apresentamos os cenários em que cada um dos três candidatos pode assegurar a conquista do título mundial de pilotos.
Lando Norris
Por estar na liderança do Campeonato do Mundo, Norris parte em vantagem para a derradeira prova. Simplificando, o piloto da McLaren precisa 'apenas' de terminar num dos três primeiros lugares para vencer o primeiro título da carreira.
Caso isso não aconteça, terá de garantir que não perde 12 pontos para Verstappen ou 16 para Norris, a distância atual dos rivais que ocupam respetivamente a segunda e terceira posições no Mundial.
Max Verstappen
Para o tetracampeão mundial alcançar o 'penta', terá sempre de superar Lando Norris por pelo menos 13 pontos, ou seja, o caminho mais simples é vencer a corrida e esperar que o piloto da McLaren termine em quarto lugar ou abaixo.
Além de obter essa diferença pontual para Norris, Verstappen, não vencendo, terá também de garantir que Piastri não soma cinco ou mais pontos do que o piloto neerlandês.
Se houver um empate pontual no topo da classificação depois do GP de Abu Dhabi, o primeiro critério de desempate é o número de vitórias ao longo do campeonato (neste momento os três somam o mesmo número de triunfos: sete). Se a igualdade persistir, será coroado campeão o piloto com mais segundos lugares (Norris lidera este ranking e já não pode ser alcançado).
Oscar Piastri
O piloto australiano, que ocupou o 'trono' do Mundial durante um largo período da temporada, é agora o quem tem de fazer mais contas.
Se Piastri vencer, precisa que o colega de equipa termine na sexta posição ou abaixo. Contudo, se acabar em segundo, necessita que Norris termine a corrida no 10.º lugar ou abaixo para conquistar o título.
Em qualquer outro cenário, Piastri terá de somar pelo menos mais 17 pontos do que Norris e mais cinco face a Verstappen.
Ainda no Mundial de Pilotos, há quem já tenha a posição final assegurada, como George Russel (4.º) ou Charles Leclerc (5.º), mas há ainda lutas em aberto no top 10, como a disputa pelo sexto lugar - entre o veterano e heptacampeão Lewis Hamilton e o rookie Kimi Antonelli - ou a luta pela oitava posição entre os dois pilotos da Williams, Alex Albon e Carlos Sainz.
No Mundial de Construtores, a Mercedes deverá 'carimbar' a segunda posição, com a Red Bull a completar o pódio.
A Ferrari, a atravessar a pior temporada desde 2020, já não irá além do quarto lugar. Em sentido inverso, a histórica Williams já garantiu o quinto posto, a melhor classificação da equipa britânica desde 2017.


