"A fechar este dia tão triste, o dia mais triste da história da SIC, permitam-me falar de felicidade. Que privilégio tive de ter vinte e poucos anos quando comecei a carreira de jornalista nos anos 80. Que afortunado fui por ter sido escolhido para a equipa fundadora da primeira televisão privada. Que tempos absolutamente irrepetíveis, que bênção teve a minha geração e outras com quem nos fomos cruzando, de ter vivido uma era do jornalismo, que se não tivermos cuidado, acabará por se extinguir. A partida de Francisco Pinto Balsemão traz esse receio: o de termos cada vez menos líderes que realmente pretendem deixar o mundo melhor do que o encontraram. É talvez ainda cedo para todos os portugueses perceberem a dimensão do que nos deixa. Nós por aqui fomos felizes e sabíamos. Hoje somos órfãos que continuarão a levantar-se, dia a dia, e aos mais novos que entretanto chegaram à família vamos ensiná-los a pensar o que achará Francisco Balsemão do que fizemos hoje, e amanhã, e amanhã, e amanhã. Boa noite, obrigado."