Francisco Pinto Balsemão

Análise

Pinto Balsemão era "um patrão muito próximo, todos os Natais visitava as pessoas, entrava em cada sala"

Os jornalistas Luisa Meireles e Nuno Ramos de Almeida lembram Francisco Pinto Balsemão como figura de referência na comunicação social. Com quase 30 anos de trabalho no Expresso, a atual diretora de Informação da Lusa recorda o "patrão jornalista, muito diferente do que são hoje os empresários da comunicação social". O comentador da SIC, que também trabalhou na SIC, lembra o facto de se "poder fazer peças que podiam até não ser agradáveis ao patrão e não ouvirmos falar dele em relação a isso".

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Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, aos 88 anos, "de causas naturais" e "os seus últimos momentos foram acompanhados pela família", avançou em comunicado a Impresa, grupo de comunicação social que fundou. Muitas personalidades reagiram ao desaparecimento do antigo primeiro-ministro, militante número um do PSD, figura incontornável da política e da História de Portugal. Luisa Meireles, atual diretora de Informação da agência Lusa, trabalhou 29 anos no semanário Expresso e conheceu bem Francisco Pinto Balsemão: "O patrão, como nós o tratávamos de forma carinhosa, era um patrão muito particular porque era um patrão jornalista e portanto muito diferente do que são hoje os empresários da comunicação social que veem isto como um negócio".

Luisa Meireles recorda uma figura que liderava com muita proximidade, que "lia o jornal de fio a pavio e dava eco dos artigos (...) dava-se ao trabalho, frequentemente, de fazer comentários, de nos mandar um e-mail".

"Tinha sempre uma palavra, e isso é uma coisa inestimável, é aquilo que nós podemos considerar como um patrão, no sentido de estar muito próximo de nós. Todos os Natais ia visitar as pessoas, entrava em cada sala, falava com cada pessoa", conta a ex-jornalista do Expresso durante quase três décadas.

Nuno Ramos de Almeida, jornalista e comentador da SIC, trabalhou nove anos na SIC: "Não tenho nenhuma experiência de contacto pessoal com Francisco Balsemão, mas eu até levo isso como uma qualidade, porque a questão de ter um patrão e nós fazermos as peças e termos a liberdade de as fazer é um aspeto fundamental da cultura jornalística e da cultura democrática. Podíamos fazer peças que podiam até não ser agradáveis ao patrão e não ouviamos falar dele em relação a isso".

"O exemplo mais paradigmático foi quando Francisco Balsemão foi primeiro-ministro, o Expresso foi-lhe bastante hostil. Obviamente e certamente, e em entrevistas, ele terá dito que não gostou, mas não alterou uma linha sobre aquilo que saía no Expresso e acho que isso é a parte fundamental", desataca Nuno Ramos de Almeida.